quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O SENHOR É MEU GOVERNADOR!

Estava esperando na plataforma da rodoviária o ônibus encostar e iniciar o embarque. O motorista desceu e veio em minha direção. Me cumprimentou. Também estendi a mão e ele me desejou boas festas e pediu se poderia me dar um abraço. Consenti, estranhando o ato, mas enfim como motorista deve ficar muito tempo nas estradas e gostaria de um abraço amigo. Ficou segurando minha mão e confidenciou algo que eu não esperava.


  • Sou seu fã. Lhe acompanho todos estes anos e estou torcendo pelo senhor. Com tal declaração fiquei querendo saber mais de onde me conhecia e porque tal admiração. 


  • O senhor está fazendo algo muito bom pelas pessoas e sua coragem e seu “forcejamento” pelo povo me agrada muito. Tenho confiança e “não afrouxa o garrão”, porque a lida é dura, me aconselhou.

Comecei a me assustar com o comportamento do chofer e puxei prosa para saber de onde ele me conhecia.


  • Mas como o amigo sabe de minhas andanças?

  • Ué, todo mundo sabe, vê na internet, na televisão, no rádio.

  • Pois é eu trabalho em rádio, comentei, mas certamente não foi por este meio.

  • Por onde viajo, pelas estradas procuro ouvir mais sobre o senhor e eu também sou torcedor da Chapecoense. Vamos pra cima na primeira divisão.


Comecei a entender o vivente. Foi quando ele pegou minha passagem e pediu um documento e viu meu nome. Ficou mais perdido que anão no meio do baile. Olhou para mim e se desculpou.


  • Mas o senhor não é o prefeito de Chapecó, o seu João Rodrigues? Questionou o motorista do ônibus, meio constrangido.

  • O senhor quase acertou. Somos da mesma região, bugrinhos parecidos, gorduchos e com voz grossa. Esclarecido que também não tenho parentesco com o prefeito de Chapecó.  E para finalizar ele me olhou bem sério e lascou:

  • Eu vi mesmo que ele não andaria de ônibus tantos quilômetros. É de moer o lombo.


Concordei com o chofer, subi as escadinhas e me acomodei na poltrona. Peguei um livro de contos e lendas gauchescas e iniciei minha leitura até que uma senhora me cumprimentou e puxou conversa:


  • Seu João, o senhor aqui? Vai para Chapecó? 

Respondi que sim e nem tratei de esclarecer novamente. Um bom início de 2026 para todos nós.





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