domingo, 22 de fevereiro de 2026

RECONHECIMENTO FACIAL FOI INVENTADO NO RIO GRANDE DO SUL

 

Andei lendo notícias de que muitos lugares do mundo já contam com um software de reconhecimento facial, e que o Grande Irmão sabe tudo. O escritor George Orwell já havia escrito o livro 1984, que trata do controle absoluto dos cidadãos pelo Estado totalitário. Certamente este escrivinhador inglês se baseou na gauchada, onde se conhece o vivente pela cor do pelego. 


Certa feita eu estava caminhando pelo calçadão da Rua da Praia, no centro histórico de Porto Alegre, mais precisamente em 1984, bem no ano do título do tal livro, quando presenciei uma cena capaz de fazer inveja aos mais desenvolvidos programas de reconhecimento facial, que apenas hoje em dia estão sendo utilizados, 40 anos depois do acontecido.


Um vivente estava saindo do Banrisul com a guaiaca bem gordinha, abarrotada de Cruzeiros. Pilchado, botas de cano alto lustradas, lenço maragato no pescoço e um pala de lã no braço direito para esconder a prateada que levava na mão e a garrucha na cintura, enfiada no cinto da guaiaca por trás. Tem que se precaver contra os malfeitores da cidade grande.


De longe ele ouviu um grito:


- Mas bah! Como está seu Pedro de Soledade?


O gaúcho velho ficou espantado, já estava ali perto da Rádio Guaíba, caminhando em direção ao Mercado Público onde faria uma refeição, algumas compritas e seguiria para a rodoviária para pegar o ônibus. Também compraria alguns temperos e especiarias culinária que foram encomendas por Nair Terezinha, sua senhora. 


Avisado que na capital tem muitos golpistas se ouriçou com a abordagem de quem não conhecia. Afinal havia ido ao Banrisul retirar uma boa quantia da venda de um rebanho de Angus, feita em um  leilão de gado. Olhou desconfiado para o sujeito que o reconheceu e com a prateada na mão, escondida por baixo do pala de lã  quis saber como o conhecia.


- Que mal lhe pergunte, moço. Como o senhor sabe que sou Pedro e de Soledade? E já com a mão esquerda levou para as costas e puxou a garrucha. Seus cobres ninguém levaria sem uma peleia. 


- Não se assuste seu Pedro. É fácil reconhecer qualquer vivente de qualquer querência.


- Este causo está mal contado. Ou me fala ou abro seu bucho e enrolo as tripas bem aqui neste poste de luz. 


- Não precisa nada disso. Eu lhe explico. É fácil saber que seu nome é Pedro, já que usa uma fivela da guaiaca com a inicial de seu nome. A Letra P em maiusculo, bem desenhada, só poderia ser Pedro em homenagem ao seu nome que foi dado para homenagear a Província de São Pedro que originou o nosso querido Estado do Rio Grande do Sul.


- Mas como o senhor sabe que sou de Soledade?


- Também é fácil. É só ver os talhos de facão na cara. Lugar de gente braba e encrenqueira.


Não deu tempo do advinho concluir a prosa. Pedro deu dois tiros de garrucha, daquelas com dois canos e único tiro em cada um. Puxou o rebenque rabo de tatu, que levava junto e correu atrás do maleva pelo calçadão. 


Só fiquei bombeando a cena, meio de longe para não ser reconhecido, também, ou o seu Pedro poderia achar que eu tinha alguma coisa a ver com o reconhecimento facial, usado pela gauchada, muito tempo antes do surgimento do computador e câmeras de vídeo. É só falar com as véias da vizinhança. Sabiam de tudo, antes mesmo de acontecer. Davam tantos detalhes que a ciência vai demorar para aprimorar algum programa que chegue perto da vigilância em questão. Agora vou matear na frente de casa e dar uma olhada na vizinhança. Nem precisa câmeras de vídeo.


domingo, 15 de fevereiro de 2026

O AMOR DE LUCINHA E ADROALDO ERNESTO

    Lucinha era uma moça com sonhos, como qualquer garota que almeja sair debaixo das asas da mãe e seguir seu rumo. Trabalhava muito no mercadinho perto de sua casa, onde tinha muitas obrigações. Atendia, orientava, proseava com a freguesia e ainda tinha de varrer a loja antes de ir para casa tarde da noite. 


Era uma lida diária dura. Ao chegar em casa enfrentava uma pilha de louças na pia e o dever de adiantar o almoço para o dia seguinte para seus pais, irmãs e uma prima que veio morar com a família. Aquilo não era vida, mas não reclamava. Apenas agradecia a Deus, por ter saúde, uma casa e uma família. Dormia pouco porque lá pelas cinco horas da madrugada,antes de o galo cantar Lucinha estava em pé, arrumada, com café pronto e mesa posta para quando os demais acordassem. Era um anjo de menina.


Já estava com 16 anos e a vontade de casar ia aumentando. Só com casamento poderia se livrar desta situação. Ter sua casa, uma companhia e arrumar  como ela gostaria que fosse. Em um final de tarde entrou, no mercadinho onde ela trabalhava, um moço bem apessoado, roupas limpas, passadas, sapato lustrado e bem educado. Perguntou onde estavam as gasosinhas. Ela respondeu, indicou e o levou até a prateleira.



  • Muito obrigado por sua gentileza. Sou Adroaldo Ernesto,seu criado. E estendeu a mão para se apresentar. Lucinha segurou forte a mão de Adroaldo Ernesto e sentiu um arrepio, como se fosse um leve choque elétrico que percorreu seu corpo. Teve certeza naquele momento que este seria o homem de sua vida. 


Começaram a se aproximar nos dias seguintes e muito rápido evoluíram para o casamento. Adroaldo Ernesto comprou um terreno, em um bairro um pouco distante do centro e lá construíram uma pequena casa com sala e cozinha em um ambiente só, dois quartos, já que tinham planos de aumentar a família, banheiro e uma varandinha onde colocaram dois cepos de madeira. Ali cobriam com um pelego e sentavam para matear e ouvir boa música em um radinho que ele trazia, e herança e deu finado pai.


No varal, o vento balançava os poucos trapos coloridos, algumas peças já bem esfarrapadas, gastas pelo tempo e  pelo uso. Lucinha fazia biscoitinhos de milho e temperados com mel de lixiguana, que era o modo de demonstrar todo o seu afeto, seu carinho e amor por Adroaldo Ernesto.


Como sempre faziam, no final da tarde o casal se sentava nos cepos de angico cobertos pelos pelegos, preparavam um bom chimarrão e ligavam o rádio para ouvir aproveitarem a companhia um do outro. Em uma dessas tardes, início de noite, Adroaldo Ernesto pegou a cuia, encheu com a água quente da chaleira, com a mão direita levou a cuia para sorver un amargo e com a mão esquerda segurou firme a mão de Lucinha, olhou em seus olhos e por alguns segundos disse a ela, através do olhar tudo o que sempre sentiu. Virou o rosto em direção ao pôr do sol, que sumia por trás da coxilha naquela tarde de sexta-feira, 13, noite de louvação, respirou fundo e disse para  Lucinha,  de forma terna, afetuosa e carinhos:


  • Esta é a expressão mais verdadeira de nosso amor!


 E naquela sexta-feira, véspera de Carnaval, Adroaldo Ernesto fechou os olhos e lentamente seu braço direito, que segurava a cuia de chimarrão, foi caindo bem devagarinho derrubando o mate no chão da pequena varanda. Ao principiar o escuro da noite de sexta-feira, 13, véspera de Carnaval, a lua cheia apareceu no horizonte e Lucinha ouviu apenas um uivo longo, demorado e lamentoso.




domingo, 8 de fevereiro de 2026

A VAMP DE UM BAILE DE CARNAVAL

Nos tempos quando  os clubes e sociedades faziam bailes de Carnaval, com verdadeiras orquestras, tocavam a noite toda e ainda alguns músicos acompanhavam os fecha-bar levando-os em cortejo para fora do clube já de manhã com sol forte e claro, é que se passa o que vou lhes contar.


Um colega de trabalho, não muito beneficiado pela natureza, sem muito jeito para conquistas e brincadeiras, foi se refestelar no popular Aceja, que existia em Erechim, do outro lado do viaduto, em frente a antiga concessionária Ford. Ali o bicho pegava. Os bailes iniciavam na sexta-feira e ainda tinha o matiné aos domingos de tarde para a criançada com o chamado Carnaval Infantil. 


Antes de entrar no clube, passou pela frente várias vezes, indeciso se deveria comprar o ingresso e ir se divertir. Sempre levava um espelhinho redondo pequeno no bolso da calça e um pente de chifre no bolso da camisa. volta e meia dava uma olhada na aparência, ajeitava o cabelo bem grudado com brilhantina e as sobrancelhas.


A noite estava quente e o conjunto atacava com as tradicionais marchinhas carnavalescas, divertidas e animadas. Aderbal Eduardo andava pelas laterais do salão, apreciando o movimento e arriscava uns passinhos tímidos. Perto do palco uma formosa dama, em trajes minúsculos e uma fantasia de mulher fatal, mistura de vampira com mulher gato passou a mão no Aderbal Eduardo que estranhou a atitude. Deu um pulo e perguntou - O que é isso? Ela apenas olhou profundamente para ele, deu um sorriso e uma piscadela. O sorriso com os dentes claros, bonitos e as duas presas sobressaiam. Adebal Eduardo virou de costas para a moça, ficou de frente para o salão, tirou o espelhinho do bolso da calça e o pente do bolsinho da camisa. Ia dar um trato no visual e se virar para conversar com a atraente mulher, que aparentava uns 30 anos. Nada viu. Transparência pura. Aderbal ficou branco, gerou o espinhaço e lembrou que vampiros não refletem em espelhos. 


Aquele sonho dele de arrumar alguém e dar uma passeada noturna ali perto, embaixo do viaduto da via férrea começou a dissipar, sumir de seus desejos íntimos. Afinal um baile de carnaval no Aceja, só saia solteiro se fosse muito burro. Até os feios arrumavam alguém. Aderbal Eduardo ficou atônito. Medo, insegurança, desejo, curiosidade. Correu pelo salão para ver se a via novamente. Perguntou ao porteiro se havia visto tal foliona e detalhou como ela era. O porteiro disse que não a viu, mas que presenciou Aderbal Eduardo falando sozinho perto do palco. 


 Enquanto isso o conjunto estava à todo vapor tocando Ó abre alas, Mamãe eu Quero, Me dá um dinheiro aí, Cidade Maravilhosa, Jardineira, Cachaça, Sassaricando, e Aderbal Eduardo saiu do clube caminhou alguns metros e ao olhar o viaduto que deveria atravessar a pé, com pouca iluminação e na alta madrugada preferiu pegar um auto de praça e seguir para casa. 


Nunca mais esqueceu aquela mão gelada que o apalpou no salão, o sorriso largo da dama com lindo rosto, mas com uma “força maligna no olhar”. Passou a frequentar só matinesão aos domingos de tarde. 


sábado, 31 de janeiro de 2026

DIÁLOGOS FILOSÓFICOS COM A EXPERIÊNCIA E MATURIDADE

Tenho tido longas conversas com minha mentora, coach, consultora, seja o nome da modinha  que queiram dar. Só pedi que ela não usasse os termos de enjoativos como gratidão e entrega que encheu o saco. Afinal ela não é carteiro e nem está trabalhando nas plataformas de venda de produtos. Tudo é entrega. Até o gol virou a besteira de que o time entregou um bom resultado. É muita idiotice.


Mas passamos algumas horas da tarde filosofando sobre a vida e o futuro da humanidade. Nos entendemos muito bem e estou satisfeito com a consultoria.


Comecei a sessão com algo profundo, puxando Shakespeare. Questionei sobre a icônica frase da literatura mundial: "Ser ou não ser, eis a questão" , dita pelo príncipe Hamlet na peça de William Shakespeare.  Hamlet reflete sobre a vida, a morte e o suicídio, ponderando se é melhor suportar as dores da existência ou dar um fim a elas.


Ela me responde balançando a cabeça para cima e para baixo, ou seja dando aprovação ao fato de que é melhor suportar as dores, achar soluções e continuar vivendo. Afinal de contas a vida é longa e ela entende muito mais. Vai estar na face da terra, ainda, quando eu me for. 


Com esta resposta aproveitei para perguntar sobre as dores nas juntas, que meus amigos com mais de 50 já sentem. Maioria já abandonou as peladas de futebol. Não aguentam nem se fardar para o jogo, mas continuam se achando os craques e todos exímios treinadores de seleção. Todos mentirosos.


Ela balançou a cabeça para os lados com ar de desaprovação aos intentos dos senhores. Mostrou que a receita é simples. Entendam os limites. De certa idade em diante nada de riscos, futebol para é para  se quebrar os ossos e entortar as juntas.  Aí entendi porque a tartaruga anda devagar, sem pressa e prefere a água onde a hidroterapia é mais aprazível no verão e sem impactos. Nada de risco. É previdente. A cada eito de prosa ela parava a sessão, dava uns passinho e se atirava na piscina. Lá para o fundo, onde ficava por longos instantes. Eu a esperar para seguir a esclarecedora sessão de terapia tartarustíca.


Aproveitei os ensinamentos e também questionei sobre o namoro. Até quando vai e pode? Afinal, as tartarugas ficam até duas horas nas intimidades, sem cansar e pode ser embaixo da água ou no sol, ao ar livre. Será tudo verdade? Ela parou, pensou, olhou para o céu e deu uma piscada longa, suspiro profundo, balançou a cauda e esticou as patinhas traseiras como se estivesse alongando. 


Ela fez uma pausa, olhou para mim e deixou claro que a experiência e a vivência contam muito. Namorar uma formosa dama, mais jovem e viçosa também requer muitos cuidados para não passarem vergonha e ficarem sentados na beira da cama pensando no que deveria ter acontecido, mas não se realizou. Esta agonia encurta a vida. Acho que esta tartaruga está com ciúmes da nossa virilidade sexagenária. 


Anotei os ensinamentos, em um caderninho que carrego para todo lado onde vou, porque a memória está ficando como a de peixe. Bem que gostaria de ter memória de um paquiderme, afinal um elefante nunca esquece. E este ensinamento é do Coronel Hathi, comandante da Quinta Brigada Paquidérmica de Sua Majestade, o Marajá, que ensinava a Mogli como marchar na selva indiana.


Neste final de semana vou revisar os ensinamentos da minha mentora Tartaruga e levarei na próxima assembléia de nosso distinto clube de cavalheiros. Vou propor mudar o nome do grupo para Clube Paquidérmico, ou Confraria das Juntas Doloridas, ou quem sabe Associação Ahhh. meu teeempoooo. Após votação informo. 






terça-feira, 27 de janeiro de 2026

JOINVILENSE ATRASA VÔOS NO AEROPORTO DE BELO HORIZONTE E ACABA PRESO

 


Há anos eu queria conhecer as cidades históricas de Minas Gerais. Nos últimos dias de dezembro passado surgiu oportunidade de última hora. Não tive dúvidas. Iria conhecer as igrejas e esculturas de Aleijadinho e também o pão de queijo, o doce de leite e o café.


Ouro Preto é uma riqueza impressionante em seu conjunto arquitetônico sacro. E a Basílica do Pilar com 500 quilos de ouro impressiona. Em valores atuais ultrapassa 450 milhões de reais só em ouro usado nas esculturas e adornos. Em Congonhas as esculturas dos profetas feitas por Aleijadinho impressionam. Feitas há mais de 230 anos em pedra sabão resistem ao tempo.


Mas os patrimônios mineiros como pão de queijo, doce de leite, goiabada, cachaça e café são insuperáveis. E este patrimônio causou uma confusão no aeroporto de Belo Horizonte com um joinvilense ao passar no scanner.


Passageiros na fila, enfrentando um calor infernal foram surpreendidos pelo alerta sonoro e a lâmpada vermelha acesa no guichê da Polícia Federal. Logo se fez tumulto , os curiosos queriam saber do que se tratava. Policiais armados chegaram e convidaram o joinvilense para acompanhá-los na sala da PF com bagagem.


Aberta a mala, um contrabando de fazer inveja a Al Capone. Havia um sortido de garrafas de cachaça, vários pacotes de café moídos na hora, ainda quentinhos e aromáticos. Várias marcas de doce de leite e peças inteiras de queijo curados e frescos. Todos com selo de procedência da Canastra. E um pacote duvidoso de 1 quilo de um pó branco.


- O senhor sabe que se o teste der azul o senhor vai direto para o xilindró, avisou o policial.


- Fiz nada  não, moço. São só alguns presentes, argumentou com pavor no rosto.


O teste não deu azul e o policial indagou o que era aquele pó branco, quantidade considerável.


Com sotaque mineiro, o "joinvilense" explicou que era minheiro e vivia em Joinville com a famílias há alguns anos. foi visitar parentes e estava levando uns presentes originais de Minas e quando ao pozinho braco explicou.


- É que minha muié, gosta de pandiquejo com cafezin. E o porvio do sul não é tão bão como o de Minas. O porvio azedo daqui é bão dimais moço. Tô levando pra ela. E óia que o pandiquejo dela é um trem bão dimais.


Explicado o ocorrido, a Federal liberou o passageiro com suas encomendas que pode embarcar. No avião passageiros putos com o mineiro joinvilense, pelo atraso do voo, desfizeram a cara feia quando ele entrou com uma cesta de pandiqueijo quentinhos que comprou no aeroporto e foi oferecendo aos viajantes até chegar na poltrona dele.


No próximo contrabando foi orientado a escrever na embalagem; "porvioazedo di minas pra modi fazê pandiquejo".


domingo, 18 de janeiro de 2026

ASSASSINO PERIGOSO ESPREITA ESCONDIDO EM MEU QUINTAL

 


Eu já desconfiava há tempos de que alguma  coisa estranha tinha pelo pátio. No final da tarde, início da noite os morcegos iniciam sua revoada. Dezenas de dráculas e Batmans, mas como comem só frutas e não estão em busca de meu sangue azul, deixo-os em paz.


Mas há algum tempo notei barulhos estranhos no meio das árvores e o pressentimento de alguém espreitando nas sombras esperando para atacar. Tomo o cuidado de ligar os holofotes para iluminar bem, antes de abrir a porta e sair. Afinal segurança é essencial. Pensei em instalar câmeras de infravermelho para  observar o andamento das redondezas.


Depois de muito tempo  surpreendi o maleva. Vi o faiscar de olhos vermelhos, escondido no meio das folhas e ele não me viu. Quando ele ia atacar preguei um grito forte. Não se intimidou. Gritei de novo. Nem bola para mim. Estava com olhar fixo na sua vítima. 


Valente, me aproximei mais ainda. Abanei as mãos e bati os pés. Tinha de deixar claro quem manda no terreno.


- Sai daqui seu carniça, pestilento de orelha cortada e pelo ralo! Me encarou e se afastou, mas ia parando pouco a pouco e me encarando com raiva. Segui até o portão da frente, quando ele saiu e ganhou a rua.


Eu estava me afeiçoando a este gatinho vadio branco, de orelha cortada. Comprei ração, Dava todos os dias e deixava água limpa e fresca. Mas o malfeitor prefere matar os passarinhos que descem das árvores para seu café da manhã.


Comigo é assim. E agora ele conhece minha valentia.


sábado, 10 de janeiro de 2026

TRUMP ESTÁ DE OLHO EM ERECHIM QUE AGORA ESTÁ NO MAPA DO MUNDO

 


Nas últimas semanas só se comenta sobre a noiva do Brad Pitt, que ficou esperando por ele no aeroporto de Erechim. cidade que me criei e conheço bem, mas o temor maior é a cobiça do presidente norte-americano Donald Trump. 


O alaranjado já anunciou que quer invadir a Groenlândia e a caboclada de Erechim já ficou de orelha em pé. Estão desconfiados que ele está de olho na erva-mate para controlar o chimarrão no mundo. Vai ter que enfrentar facão, lança, relhaço, tapa na cara e surra de cinta.


Mas não é a primeira vez que Erechim é destaque mundial. Os olhos do mundo já ficaram atentos quando o Come-Gente deixava rastros de ossos por onde passava. O polaco canibal comia as vítimas e aterrorizava a região. Nos anos 30 deixou muita gente sem dormir e com medo de sair de noite. Desconfio que o personagem de cinema Hannibal foi inspirado no Come-Gente.


Nos anos 80 o Luiz Baú levou o terror para a região ao seguir seu caminho de serial killer. Coisa de cinema. O chamado Monstro de Erechim deixou mais de cinco corpos sem vida e contam que extirpava os homens e garotos e comia os órgãos. O imaginário atestava que se transformava em lobisomem e conseguia desaparecer na frente das pessoas. 


Tivemos também o Nino Bandoleiro e a moça do Caixa 23 que em noites de tormenta assumia a operação após o supermercado fechar. E tem a Santa Cruz, onde até hoje não nasce nada no local de aparição de Nossa Senhora em 1944. Apenas o desenho da cruz. Inexplicável. 


Agora temos a noiva de Brad Pitt e o tal Trump chamou sua equipe na Casa Branca para saber mais detalhes da noiva, da região e onde fica. Informaram que é um pólo industrial e agrícola forte. A cidade é jovem, pouco mais de 100 anos, e a noiva do Brad Pitt é de São Valentim, distante 30 quilômetros. Informaram Trump que São Valentim é a cidade que mais ofertou padres para o Seminário Nossa Senhora de Fátima e que a região produz erva-mate de excelente qualidade.


Trump ouviu com atenção sobre o potencial desta riqueza e ordenou que a CIA, FBI, Agência de Segurança Nacional preparem estudos para uma invasão e confisco da erva-mate que é remédio, estimulante, une os povos em torno da roda de chimarrão, faz de amizade e garante a paz. 


Não vai ser fácil esta peleia, mas estamos esperando este qüéra maleva.