sábado, 23 de maio de 2026

Quero uma coroa

A atendente era uma mulher com seus mais de 40 anos, bem vestida, charmosa e com certa atratividade. Cabelos presos, camisa azul com os dois primeiros botões abertos. Saia justa que delineava sua silhueta. Perguntou o que eu desejava. Sem a menor dúvida fui direto ao ponto.


- Quero uma coroa para botar...Ela nem deixou eu terminar a frase e respondeu prontamente de forma ríspida.


- O que o senhor está pensando. Olhe bem para o senhor. Não tem espelho? Não vou admitir falta de respeito. Coroa deve ser sua mãe. Sou ainda jovem e não me considero como tal.


- Desculpe senhora, eu não queria ofendê-la. Apenas estou precisando....


- Se está precisando, procure em outro lugar e não venha com cantadas baratas como se fosse um pedreiro ou coisa pior - devolveu a tal atendente.


- Me deixe explicar madame. Eu apenas quero saber quanto custa…


- O que ? Acha que estou à venda? que tenho preço. Afinal qual o seu interesse? Me ofende e agora quer me comprar? Vociferou já perdendo a compostura.


- Não é nada disso. Eu só estou querendo muito resolver esta situação, respondi calmamente.


- Pois vá resolver em outro lugar. Aqui não é o local, isto é uma clínica odontológica, tratou de reafirmar a atendente.


- Eu sei e é o que estou tentando saber da senhora, como se faz e quanto custa uma coroa de porcelana, uma jaqueta, um dente de ouro, enfim. É para meu molar inferior direito que está quebrado.


- Ahhhh, finalmente o senhor se fez entender, disse a atendente envergonhada por não ter entendido que eu queria uma coroa de porcelana sob medida para meu dente. 


Respirei aliviado, pois os demais pacientes já me olhavam com olhares de culpado, de assediador, querendo a coroa, ou seja a dama de 40 e poucos anos que atendia na recepção.


Consegui agendar a consulta. Da próxima vez já chego de boca aberta mostrando o dente danificado, antes que ela quebre os demais por não entender o intuito. 


quarta-feira, 6 de maio de 2026

O AUTO DA APARECIDA

O renomado escritor pernambucano Ariano Suassuna escreveu o Auto da Compadecida, imenso sucesso editorial que virou filme e peça de teatro. Mas vou lhes contar um episódio que envolve o Auto da Aparecida. 


Aparecida era uma santa mulher, muito dedicada à família e aos amigos. Em uma manhã de sábado estava sendo aguardada na Paróquia a que ela pertence. Não falhava em seus compromissos e nunca deixou uma alma desassistida ou esperando por ela. Era pontual. Repetia que não estaria em um compromisso se estivesse morta. Aparecida era uma santa, repetiam os vizinhos e até gente de longe já conhecia a fama dela de ser leal, pontual e altruísta.


Naquele sábado haveria festa na igreja com missa, churrasco e bingo de tarde. Todos os festeiros voluntários já haviam chegado cedo para começar os preparativos de copa e cozinha, bem como auxiliar na missa e arrumar tudo para o bingo com ótimos prêmios que aconteceria de tarde. Já passava das 8 horas e nada de Aparecida que estava com as chaves do salão. O pároco confiava as chaves nas mãos dela porque era responsável e nunca falharia com os demais.


Pouco mais de meia hora de espera surge na esquina um garoto correndo, esbaforido que chegou perto do grupo cansado sem poder falar e com sofreguidão deu notícias sobre Aparecida.


  • Dona Aparecida não vem! Anunciou o garoto com dificuldades de falar e respirar devido ao cansaço por ter vindo correndo para avisar.

  • Per l`amor di Dio. Quello che è successo? Questionou o padre.

  • Uma tragédia - respondeu o menino que era vizinho de Aparecida. Entregou as chaves para que pudessem abrir o salão.

  • Me conta, o que aconteceu? Insistiu o padre.

  • Uma tragédia…e ela não vai poder vir ajudar, repetiu o mensageiro.

  • Desembucha, filho. Parece com esta agonia e conte tudo - ordenou o sacerdote

  • É que o auto de Aparecida estragou, não pegou, não deu a partida, deve ser bateria, explicou.


Todos se calaram por alguns segundos. Se olharam, balançaram a cabeça com tristeza no semblante.


  • Ma Santo Cielo, perché non hai parlato prima- esbravejou o padre que apontou para dois paroquianos e já penitenciou:

  • Corram e empurrem o Auto da Aparecida até pegar. Ela precisa estar aqui. Festa da paróquia sem Aparecida, não é Festa da Paróquia, finalizou o padre


E por falar em festa de Igreja, neste sábado, 9 de maio tem Festa da Padroeira, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro Glória, em Joinville. Missa, churrasco de igreja e bingo. E também vai ter posto de vacinação para quem ainda não se vacinou ou quer atualizar sua carteira de vacinação. 


Aparecida com seu auto estarão lá? Acho que sim, porque festa da paróquia sem Aparecida, não é festa da Paróquia. 


sábado, 2 de maio de 2026

O FRIO LAGEANO E O CONGELAMENTO DO PREFEITO

Agora de manhã, proseando com uma colega lageana, lembrei de um acontecido nas terras altas e geladas de Lages. Fato ocorrido durante a Festa do Pinhão de 2002 que coincidiu com a Copa do Mundo, o ano do Penta.


Naquele ano, o prefeito de Joinville Luiz Henrique havia renunciado em 4 de abril para se candidatar a governador e o vice-prefeito Marco Tebaldi assumiu o governo. Recebemos o convite para ir na Festa do Pinhão e fomos recebidos e hospedados no Rancho Rochedo do sempre agradável Roberto Amaral, dono do grupo de comunicação SCC.


Seguimos de Joinville, o Tebaldi, eu, o Ivan na pilotagem e o ex-vereador João Gaspar. Noite agradável, encontro com amigos de longa data, música boa e comida melhor ainda. Naquele ano o ex-prefeito de Florianópolis preparou um entrevero de frutos do mar, algo diferenciado que fez todos lamberem os beiços. Lá pelas 2 horas da madrugada seguimos para o Rancho Rochedo, naquele frio de renguear cusco. Até comprei uma manta de lã e enrolei no pescoço para me proteger do vento gelado e um chapéu para não pegar friagem.


Chegando no Rancho Rochedo começou a fiasqueira. Após horas de estrada e programação noturna intensa, cheiro de fumaça das fogueiras que assavam pinhões, esquentava água para o mate e o preparo do entrevero e churrasco. Estávamos cobertos de fumaça, gordura e acho que um zorrilho era mais perfumado e chegava perto. 


Encontramos quartos bem aconchegantes, mas a hora da verdade quando um gaudério mostra sua força é no momento de deitar o pelo no lençol gelado. Chora lágrimas de gelo. Mas o aquecedor a óleo ajudava no aquecimento do ambiente. Gaspar estava com medo que aquilo pudesse pegar fogo e não queria acionar. Ivan, não muito certeiro queria dormir no salão. Disse que ele congelaria lá embaixo pois na frente tem um lago e estava congelado. Eu me deitei com roupa e tudo. Vestir pijaminha de pelúcia? Nem pensar naquela altura. Sairíamos cedo para retornar a Joinville.


E Tebaldi resolveu que não iria dormir enfumaçado. O vivente se foi para o chuveiro e minutos depois ouvimos um grunhido, uma resmungação, um pedido de ajuda. Imaginei que era alguma alma penada de antigos tropeiros. Desconfiados fomos até o quarto dele e lá estava o prefeito da maior cidade catarinense tremendo, batendo de queixo como se fosse guizo de cascavel. Bateu a hipotermia. O Ivan lembrou que viu num filme que se deitando por cima do congelado aqueceria o tal e sobreviveria. Nenhum dos três se animou. Tratei de pegar um monte de cobertores de lã e jogar por cima do xiru véio e ligar o aquecedor. Alguns minutos depois recuperou o calor corporal e passou a tremedeira.


Na manhã seguinte, na hora do café, num sábado gelado, olhamos pela janela e o cenário era de uma pintura. O cerro branco de geada, a água do lago congelado e um cusco maleva rengueando de frio pelo gramado coberto de gelo, deu para entender o fiasco da noite anterior. Mesa farta, café passado e pancinha cheia retornamos para Joinville. Não tirei minha manta e nem meu chapéu que uso até hoje. Em breve chega o frio, pinhão, comida boa, música gaúcha e a alegria de viver com boas lembranças.



sábado, 25 de abril de 2026

MICHAEL JACKSON. O MAIOR ASTRO POP DA HISTÓRIA NOS CINEMAS



Já chegou aos cinemas o filme sobre a carreira do maior astro pop mundial surgido em todos os tempos. Michael Jackson nasceu com talento e encantou o mundo.  Foi criativo, inovador e mudou o modo de se ver a música com seus clipes que eram chamados de mini-filmes. Até então os artistas só apareciam tocando e cantando. Ele contou a história de suas  músicas com coreografia, figurinos, cenários e qualidade esmerada na produção, além de todo o talento criativo. 


Quebrou as barreiras com Beat It, obrigando o canal MTV a exibir um artista negro, o que o canal não mostrava. Seu talento não poderia ser ignorado por um canal de TV que só exibia artistas brancos. Nos anos 80 a MTV ditava quem seria sucesso. Não demorou para explodir na Hot 100 da  Billboard.

Michael foi um vencedor, não porque seu pai repetia que na vida ou se é vencedor ou perdedor. Venceu pelo seu talento único.  Hoje, o pai dele estaria preso por abusos físicos e psicológicos. Surras de cinta, manipulação psicológica, exploração financeira eram as estratégias do pai Joe Jackson.


Sempre fui fã de Michael e relembro quando eu e minha mãe Lili assistíamos os clipes revolucionários que eram exibidos no programa dominical Fantástico. Ela também gostava e quando ia passar ela me chamava. Não perdíamos. 


Em 2010 visitei a exposição Michael Jackson: The Exhibition Oficial,  no centro de eventos O2, em Londres, onde ele faria  uma série de 50 shows. A arena O2 se transformou em um lugar de culto utilizado pelos fãs para honrar a memória do cantor, morto no dia 25 junho de 2009.


Quem gosta de Michael Jackson precisa assistir este filme que está em exibição nos cinemas . Vou assistir de novo.


legenda: Esta luva icônica é uma das 250 peças que estiveram na exposição no O2 em Londres, entre 28 de outubro de 2009 até 28 de fevereiro de 2010.

crédito: foto tirada por Arthur Ramiro Cruz de Lima, fã incondicional. 



sexta-feira, 17 de abril de 2026

TE AMO TANTO E VOCÊ SE AFASTA DE MIM



Não sei até quando vou suportar este seu desamor. Te amo tanto! Fico te observando, te admirando e esses seus olhos azuis são os mais lindos que eu já vi.


Tento chegar perto e você sai. É dissimulada, foge, escorre e não a vejo mais. Tento de novo, chegar perto, te tocar e sentir o seu cheiro, mas você me rejeita como tem feito todas as vezes que me aproximo.


Não me canso de rastejar, de te procurar, de tentar receber um afago qualquer. Apenas um toque seu me faria feliz, mas infelizmente chego a conclusão de que você nunca me amou. 


Sinto ciúmes de você, quando está acompanhada e com tantas carícias, tantos cuidados, tantos abraços e beijos. Me pergunto, porque não eu? O que eu te fiz de tão mal? Você nunca me deu uma única chance de demonstrar o que sinto, o quanto eu te amo.


O carinho, atenção, acolhimento e amor que recebi de estranhos,  são muito importantes, valorizo muito, mas eu só queria, pelo menos uma vez que você me abraçasse e nada falasse. Apenas me olhasse com teus lindos olhos azuis, nos meus olhos negros que em me sentiria agradecido por toda a eternidade.


Me rejeitastes ao nascer. Mãe, seja feliz com quem você escolheu. Tenho novos pais e irmãos que cuidam de mim. 


Sempre te amarei e estarei olhando de longe, seus lindos olhos azuis são inesquecíveis.


Este é o pensamento da gatinha que foi abandonada ao nascer e que tenta todos os dias se aproximar. Bem...vou lá preparar a mamadeira e depois brincar um pouco com ela. Não tenho olhos azuis, mas o carinho que ela precisa, e nesta sexta-feira de sol vamos “lagartear” um pouco. 


terça-feira, 14 de abril de 2026

DE FÉRIAS COM A GATA NA CAMA

Hoje conversei com um amigo de longa data e falamos sobre vários assuntos. Lá pelas tantas ele me perguntou o que ando fazendo. Respondi que dedico meus dias e noites a ficar na cama com minha gata. Afinal estou de férias.

A reação foi de indignação. Questionou sobre isso. Falei que está sendo ótimo uma gata bem mais jovem e na flor da vitalidade. Meu amigo desfiou um rosário contra minha atitude. Questionou a idade, e  se eu não tinha vergonha da minha atitude. Disse que estou feliz, que nada me incomoda, nem os três filhos dela que considero meus.

Escreveu algumas ofensas que relevei, pois é um amigo de mais de 40 anos. Afinal para ele é um pecado sem perdão, afinal estar na cama com alguém que  poderia ser minha neta.

Mas como um bom idoso, já não me incomodo com o que pensam ou deixam de pensar sobre minha conduta. Os únicos seres imprestáveis que não suporto, ainda, são os fumantes, pois fedem. Mas eles se defendem que fumam com o dinheiro deles. Portanto, o que gasto com a minha gata ninguém tem nada com isso.

A companhia dela é agradável, seu dengo, malemolência, e suas carícias são impagáveis. Principalmente quando ela vem se retorçando, me acariciando, querendo algo mais. Me faço de desentendido para ela insistir um pouco mais. Só nestas situações que me aprumo, saio da cama e ela me segue. Seu olhar gateado, encantador me fazem atender seus desejos. 

Encho o potinho com ração da melhor marca e misturo doses generosas de molhos especiais da mesma marca. E assim vai nosso amor. Vai durar mais alguns dias para ciúmes dos invejosos. 


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Giogi Alphonsus I

O nome poderia ser da nobreza européia, nórdico, daqueles nascidos nas montanhas de neve nos alpes. Afinal é todo branco e poderia facilmente se misturar ao cenário.


Mas Giorgi Alphonsus I tem uma história de vida triste. Dos cinco irmãos, dois morreram após o nascimento. Sua mãe o rejeitou nos primeiros dias e preferiu outros dois que ela levou embora consigo para outro lar.


Alphonsus ficou à própria sorte, mas foi adotado por gente que o amparou. Mamadeiras com leite especial para recém- nascido. Sobreviveu e já está mais fortinho. Após sua alimentação gosta de um bom cochilo e se aventura por terras nunca exploradas.


Em uma de suas incursões deparou-se com sua genitora que se afastou. Ele tentou uma aproximação e ela não permitiu que ele chegasse mais perto. Foi embora. Mas Giorgi Alphonsus I pouco entende ainda, mas segue o seu caminho. Uma cochilada, uma espreguiçada e mantém seus domínios em uma nova, seca e ampla caixa de papelão, chegada recentemente do supermercado em sua residência uma inscrição Tapioca. 


Viva longa a Giorgi Alphonsus I.


Quero uma coroa