sábado, 31 de janeiro de 2026

DIÁLOGOS FILOSÓFICOS COM A EXPERIÊNCIA E MATURIDADE

Tenho tido longas conversas com minha mentora, coach, consultora, seja o nome da modinha  que queiram dar. Só pedi que ela não usasse os termos de enjoativos como gratidão e entrega que encheu o saco. Afinal ela não é carteiro e nem está trabalhando nas plataformas de venda de produtos. Tudo é entrega. Até o gol virou a besteira de que o time entregou um bom resultado. É muita idiotice.


Mas passamos algumas horas da tarde filosofando sobre a vida e o futuro da humanidade. Nos entendemos muito bem e estou satisfeito com a consultoria.


Comecei a sessão com algo profundo, puxando Shakespeare. Questionei sobre a icônica frase da literatura mundial: "Ser ou não ser, eis a questão" , dita pelo príncipe Hamlet na peça de William Shakespeare.  Hamlet reflete sobre a vida, a morte e o suicídio, ponderando se é melhor suportar as dores da existência ou dar um fim a elas.


Ela me responde balançando a cabeça para cima e para baixo, ou seja dando aprovação ao fato de que é melhor suportar as dores, achar soluções e continuar vivendo. Afinal de contas a vida é longa e ela entende muito mais. Vai estar na face da terra, ainda, quando eu me for. 


Com esta resposta aproveitei para perguntar sobre as dores nas juntas, que meus amigos com mais de 50 já sentem. Maioria já abandonou as peladas de futebol. Não aguentam nem se fardar para o jogo, mas continuam se achando os craques e todos exímios treinadores de seleção. Todos mentirosos.


Ela balançou a cabeça para os lados com ar de desaprovação aos intentos dos senhores. Mostrou que a receita é simples. Entendam os limites. De certa idade em diante nada de riscos, futebol para é para  se quebrar os ossos e entortar as juntas.  Aí entendi porque a tartaruga anda devagar, sem pressa e prefere a água onde a hidroterapia é mais aprazível no verão e sem impactos. Nada de risco. É previdente. A cada eito de prosa ela parava a sessão, dava uns passinho e se atirava na piscina. Lá para o fundo, onde ficava por longos instantes. Eu a esperar para seguir a esclarecedora sessão de terapia tartarustíca.


Aproveitei os ensinamentos e também questionei sobre o namoro. Até quando vai e pode? Afinal, as tartarugas ficam até duas horas nas intimidades, sem cansar e pode ser embaixo da água ou no sol, ao ar livre. Será tudo verdade? Ela parou, pensou, olhou para o céu e deu uma piscada longa, suspiro profundo, balançou a cauda e esticou as patinhas traseiras como se estivesse alongando. 


Ela fez uma pausa, olhou para mim e deixou claro que a experiência e a vivência contam muito. Namorar uma formosa dama, mais jovem e viçosa também requer muitos cuidados para não passarem vergonha e ficarem sentados na beira da cama pensando no que deveria ter acontecido, mas não se realizou. Esta agonia encurta a vida. Acho que esta tartaruga está com ciúmes da nossa virilidade sexagenária. 


Anotei os ensinamentos, em um caderninho que carrego para todo lado onde vou, porque a memória está ficando como a de peixe. Bem que gostaria de ter memória de um paquiderme, afinal um elefante nunca esquece. E este ensinamento é do Coronel Hathi, comandante da Quinta Brigada Paquidérmica de Sua Majestade, o Marajá, que ensinava a Mogli como marchar na selva indiana.


Neste final de semana vou revisar os ensinamentos da minha mentora Tartaruga e levarei na próxima assembléia de nosso distinto clube de cavalheiros. Vou propor mudar o nome do grupo para Clube Paquidérmico, ou Confraria das Juntas Doloridas, ou quem sabe Associação Ahhh. meu teeempoooo. Após votação informo. 






terça-feira, 27 de janeiro de 2026

JOINVILENSE ATRASA VÔOS NO AEROPORTO DE BELO HORIZONTE E ACABA PRESO

 


Há anos eu queria conhecer as cidades históricas de Minas Gerais. Nos últimos dias de dezembro passado surgiu oportunidade de última hora. Não tive dúvidas. Iria conhecer as igrejas e esculturas de Aleijadinho e também o pão de queijo, o doce de leite e o café.


Ouro Preto é uma riqueza impressionante em seu conjunto arquitetônico sacro. E a Basílica do Pilar com 500 quilos de ouro impressiona. Em valores atuais ultrapassa 450 milhões de reais só em ouro usado nas esculturas e adornos. Em Congonhas as esculturas dos profetas feitas por Aleijadinho impressionam. Feitas há mais de 230 anos em pedra sabão resistem ao tempo.


Mas os patrimônios mineiros como pão de queijo, doce de leite, goiabada, cachaça e café são insuperáveis. E este patrimônio causou uma confusão no aeroporto de Belo Horizonte com um joinvilense ao passar no scanner.


Passageiros na fila, enfrentando um calor infernal foram surpreendidos pelo alerta sonoro e a lâmpada vermelha acesa no guichê da Polícia Federal. Logo se fez tumulto , os curiosos queriam saber do que se tratava. Policiais armados chegaram e convidaram o joinvilense para acompanhá-los na sala da PF com bagagem.


Aberta a mala, um contrabando de fazer inveja a Al Capone. Havia um sortido de garrafas de cachaça, vários pacotes de café moídos na hora, ainda quentinhos e aromáticos. Várias marcas de doce de leite e peças inteiras de queijo curados e frescos. Todos com selo de procedência da Canastra. E um pacote duvidoso de 1 quilo de um pó branco.


- O senhor sabe que se o teste der azul o senhor vai direto para o xilindró, avisou o policial.


- Fiz nada  não, moço. São só alguns presentes, argumentou com pavor no rosto.


O teste não deu azul e o policial indagou o que era aquele pó branco, quantidade considerável.


Com sotaque mineiro, o "joinvilense" explicou que era minheiro e vivia em Joinville com a famílias há alguns anos. foi visitar parentes e estava levando uns presentes originais de Minas e quando ao pozinho braco explicou.


- É que minha muié, gosta de pandiquejo com cafezin. E o porvio do sul não é tão bão como o de Minas. O porvio azedo daqui é bão dimais moço. Tô levando pra ela. E óia que o pandiquejo dela é um trem bão dimais.


Explicado o ocorrido, a Federal liberou o passageiro com suas encomendas que pode embarcar. No avião passageiros putos com o mineiro joinvilense, pelo atraso do voo, desfizeram a cara feia quando ele entrou com uma cesta de pandiqueijo quentinhos que comprou no aeroporto e foi oferecendo aos viajantes até chegar na poltrona dele.


No próximo contrabando foi orientado a escrever na embalagem; "porvioazedo di minas pra modi fazê pandiquejo".


domingo, 18 de janeiro de 2026

ASSASSINO PERIGOSO ESPREITA ESCONDIDO EM MEU QUINTAL

 


Eu já desconfiava há tempos de que alguma  coisa estranha tinha pelo pátio. No final da tarde, início da noite os morcegos iniciam sua revoada. Dezenas de dráculas e Batmans, mas como comem só frutas e não estão em busca de meu sangue azul, deixo-os em paz.


Mas há algum tempo notei barulhos estranhos no meio das árvores e o pressentimento de alguém espreitando nas sombras esperando para atacar. Tomo o cuidado de ligar os holofotes para iluminar bem, antes de abrir a porta e sair. Afinal segurança é essencial. Pensei em instalar câmeras de infravermelho para  observar o andamento das redondezas.


Depois de muito tempo  surpreendi o maleva. Vi o faiscar de olhos vermelhos, escondido no meio das folhas e ele não me viu. Quando ele ia atacar preguei um grito forte. Não se intimidou. Gritei de novo. Nem bola para mim. Estava com olhar fixo na sua vítima. 


Valente, me aproximei mais ainda. Abanei as mãos e bati os pés. Tinha de deixar claro quem manda no terreno.


- Sai daqui seu carniça, pestilento de orelha cortada e pelo ralo! Me encarou e se afastou, mas ia parando pouco a pouco e me encarando com raiva. Segui até o portão da frente, quando ele saiu e ganhou a rua.


Eu estava me afeiçoando a este gatinho vadio branco, de orelha cortada. Comprei ração, Dava todos os dias e deixava água limpa e fresca. Mas o malfeitor prefere matar os passarinhos que descem das árvores para seu café da manhã.


Comigo é assim. E agora ele conhece minha valentia.


sábado, 10 de janeiro de 2026

TRUMP ESTÁ DE OLHO EM ERECHIM QUE AGORA ESTÁ NO MAPA DO MUNDO

 


Nas últimas semanas só se comenta sobre a noiva do Brad Pitt, que ficou esperando por ele no aeroporto de Erechim. cidade que me criei e conheço bem, mas o temor maior é a cobiça do presidente norte-americano Donald Trump. 


O alaranjado já anunciou que quer invadir a Groenlândia e a caboclada de Erechim já ficou de orelha em pé. Estão desconfiados que ele está de olho na erva-mate para controlar o chimarrão no mundo. Vai ter que enfrentar facão, lança, relhaço, tapa na cara e surra de cinta.


Mas não é a primeira vez que Erechim é destaque mundial. Os olhos do mundo já ficaram atentos quando o Come-Gente deixava rastros de ossos por onde passava. O polaco canibal comia as vítimas e aterrorizava a região. Nos anos 30 deixou muita gente sem dormir e com medo de sair de noite. Desconfio que o personagem de cinema Hannibal foi inspirado no Come-Gente.


Nos anos 80 o Luiz Baú levou o terror para a região ao seguir seu caminho de serial killer. Coisa de cinema. O chamado Monstro de Erechim deixou mais de cinco corpos sem vida e contam que extirpava os homens e garotos e comia os órgãos. O imaginário atestava que se transformava em lobisomem e conseguia desaparecer na frente das pessoas. 


Tivemos também o Nino Bandoleiro e a moça do Caixa 23 que em noites de tormenta assumia a operação após o supermercado fechar. E tem a Santa Cruz, onde até hoje não nasce nada no local de aparição de Nossa Senhora em 1944. Apenas o desenho da cruz. Inexplicável. 


Agora temos a noiva de Brad Pitt e o tal Trump chamou sua equipe na Casa Branca para saber mais detalhes da noiva, da região e onde fica. Informaram que é um pólo industrial e agrícola forte. A cidade é jovem, pouco mais de 100 anos, e a noiva do Brad Pitt é de São Valentim, distante 30 quilômetros. Informaram Trump que São Valentim é a cidade que mais ofertou padres para o Seminário Nossa Senhora de Fátima e que a região produz erva-mate de excelente qualidade.


Trump ouviu com atenção sobre o potencial desta riqueza e ordenou que a CIA, FBI, Agência de Segurança Nacional preparem estudos para uma invasão e confisco da erva-mate que é remédio, estimulante, une os povos em torno da roda de chimarrão, faz de amizade e garante a paz. 


Não vai ser fácil esta peleia, mas estamos esperando este qüéra maleva.



quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O BENZIMENTO DA TORMENTA



Já era final da tarde e o tempo enfeiou para o lado dos uruguaios. O gaúcho sabe que se São Pedro manda recados vem uma tormenta pela frente. O céu começou a "relampiar", escureceu e aquilo só podia ser um mandado para dar tenência aos pecadores.


Tratei logo de me prevenir. Peguei um três listras Coqueiro, passei a lima no fio que ficou igual navalha de barbeiro. Cortava uma folha de bananeira como se fosse manteiga.


Enquanto o tempito se enfeiava mais, peguei a prateada e fiz uma cruz de sal. Ali de joelhos puxei um Pai Nosso, uma Ave-Maria e uma oração para Santa Bárbara. Como reza a lenda, faça seu benzimento e enterre tudo até que a tormenta vá embora. Levei o três listras com toda a força da tormenta desfeita e adormecida, aprisionada em seu fio e enterrei lá fora, bem adiante para que puxasse os raios e a fúria de São Pedro e enterrasse tudo por lá.


O horizonte escureceu, o céu preteou. Preparei um mate e fiquei bombeando da janela se Santa Bárbara iria me proteger. Minha morada não aguenta um ataque pedras de gelo, muito menos um vento menor que o minuano e meus piás não podem ficar acamados. 


Pedi com devoção, rezei o benzimento com fé e enterrei todo o mal no sal da terra. 


Veio a tormenta com cara de quem iria se vingar daqueles malevas que sabem o que fizeram. Por Dios, muchas gracias. Passou a lo largo e só senti um rebencaço de ponta de relho que levou para longe meus trapos estendidos na cerca.


Vai embora tormenta. Leve todo este mal para além de minha querência! Gritei com força empunhando uma lança missioneira e um rebenque tala curta.


Em minutos o céu ficou claro, o sol voltou forte e sem uma nuvem traiçoeira para anunciar nova tormenta. E o cusco amigo saiu de debaixo de um pelego, se retoçando e com olhar firme agradeceu o benzimento que mandou a tormenta embora.


imagem:freepik


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O SENHOR É MEU GOVERNADOR!

Estava esperando na plataforma da rodoviária o ônibus encostar e iniciar o embarque. O motorista desceu e veio em minha direção. Me cumprimentou. Também estendi a mão e ele me desejou boas festas e pediu se poderia me dar um abraço. Consenti, estranhando o ato, mas enfim como motorista deve ficar muito tempo nas estradas e gostaria de um abraço amigo. Ficou segurando minha mão e confidenciou algo que eu não esperava.


  • Sou seu fã. Lhe acompanho todos estes anos e estou torcendo pelo senhor. Com tal declaração fiquei querendo saber mais de onde me conhecia e porque tal admiração. 


  • O senhor está fazendo algo muito bom pelas pessoas e sua coragem e seu “forcejamento” pelo povo me agrada muito. Tenho confiança e “não afrouxa o garrão”, porque a lida é dura, me aconselhou.

Comecei a me assustar com o comportamento do chofer e puxei prosa para saber de onde ele me conhecia.


  • Mas como o amigo sabe de minhas andanças?

  • Ué, todo mundo sabe, vê na internet, na televisão, no rádio.

  • Pois é eu trabalho em rádio, comentei, mas certamente não foi por este meio.

  • Por onde viajo, pelas estradas procuro ouvir mais sobre o senhor e eu também sou torcedor da Chapecoense. Vamos pra cima na primeira divisão.


Comecei a entender o vivente. Foi quando ele pegou minha passagem e pediu um documento e viu meu nome. Ficou mais perdido que anão no meio do baile. Olhou para mim e se desculpou.


  • Mas o senhor não é o prefeito de Chapecó, o seu João Rodrigues? Questionou o motorista do ônibus, meio constrangido.

  • O senhor quase acertou. Somos da mesma região, bugrinhos parecidos, gorduchos e com voz grossa. Esclarecido que também não tenho parentesco com o prefeito de Chapecó.  E para finalizar ele me olhou bem sério e lascou:

  • Eu vi mesmo que ele não andaria de ônibus tantos quilômetros. É de moer o lombo.


Concordei com o chofer, subi as escadinhas e me acomodei na poltrona. Peguei um livro de contos e lendas gauchescas e iniciei minha leitura até que uma senhora me cumprimentou e puxou conversa:


  • Seu João, o senhor aqui? Vai para Chapecó? 

Respondi que sim e nem tratei de esclarecer novamente. Um bom início de 2026 para todos nós.





domingo, 23 de novembro de 2025

O JORNALISTA BÊBADO QUE DESENCABEÇOU A FREIRA



Os jornalistas da chamada velha guarda praticavam a fase de romantismo da profissão. Pouco ganhavam, o que escreviam eram textos muitos deles mais literatos e desenvolviam grandes "nariz de cera". A introdução era muita enrolação até se chegar ao fato. A objetividade do jornalismo veio depois quando se responde as principais questões já de início para o leitor se interessar em se informar. A técnica é responder: o quê, quando, onde, como e porque. 


Mas isso não tem importância para o que eu vou contar. Quando eu trabalhava no Diário Popular em Pelotas, almoçava no bar da esquina denominado Boteco Cruz de Malta. A comida era boa e barata. Ahh, sim, havia baratas e ratos, também. E dali seguia para o Café Aquários na mesma rua para um cafezinho e saber das novidades, principalmente da política. Havia uma fauna multidiversificada naquela esquina democrática.


Um deles era um jornalista da velha escola, da velha guarda, já com uma idade avançada. Era bem magrinho, com seu terno surrado e não largava o cigarro e a xícara de cafezinho. Vez por outra um conhaque para "limpar a garganta". Era conversador e gabola. 


Nos anos 60, ele trabalhava em jornais da capital e cobria pautas pelo Estado. Como era comum a toda um geração de escribas, saiam dos jornais e seguiam para os bares e casas de procedência duvidosa. Me contou que em inverno rigoroso, frio, gelado, com vento sul e a temida tormenta de Santa Bárbara acabou adoecendo. A receita era simples, como para a maioria desta turma da noite. Frequentava as casas noturnas com maestria, onde havia cigarro, bebidas, mulheres, quase nada de comida e ali deixava seus poucos caraminguás.


Certa noite caiu desacordado com elevado teor alcoólico, cheiro de cigarro e nenhum tostão nos bolsos. Os colegas de copo chamaram o Samdu, que era o  Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência, precursora do SUS que hoje conhecemos. Foi levado quase morto para um hospital público,daqueles centenários, úmidos, paredes descascadas e reboco do teto caindo sobre os pacientes.


Desacordado ficou por alguns dias recebendo tratamento, alimentação e cuidados. Ao acordar, se esforçou para abrir os olhos colados de ramela. Pouco via, pois além de muita secreção pelas infecções, estava sem óculos e a catarata, também dificultava. 


Olhou o ambiente com pé direito alto, tudo branco, ouviu gemidos, ranger de molas das camas, descarca de banheiros e de repente, muito próximo, uma voz doce e angelical que insistia para ele  sentar na cama para tomar os remédios. Aquela voz entrou em seus ouvidos e tomou conta de seus sentidos. Sentiu o tom carinhoso, cuidadoso e imaginou que já estava no céu. Morreu e subiu. Mas no seu  íntimo duvidou disso, pois com a vida que levara e os atos praticados, seria mais plausível que estivesse na companhia do capa preta. Não havia cheiro de enxofre e sim uma fagrância  de jasmin que entrava pela janela que estava entreaberta para arejar o local. 


Inebriado pelo perfume e pela voz doce, suave e carinhosa, abriu os olhos e viu um anjo na sua frente. Um anjo jovem, de branco, com um lenço no cabelo que escondia os fios loiros. Ela tinha uma pele clarinha, fina e aparentava ser uma bonequinha de porcelana chinesa viva.


- Bom dia senhor! Que bom que acordou. O senhor precisa se alimentar, aconselhou a bela mocinha.


- Onde estou? O que houve comigo? Questionou o velho jornalista.


- O senhor foi trazido aqui. Estava caido e estamos tratando de sua pneumonia. Quase que o senhor foi encontrar Jesus.


- E você quem é? Um anjo?


- Sou uma freira aqui do hospital. Sou a irmã Ágatha.


Aquele nome soou como se fosse um canto gregoriano, cheio de suavidade. Pediu que ela chegasse mais perto para poder vê-la melhor. 


Alguns dias depois teve alta, mas não tirou a freira de seus pensamentos. Ele sempre foi um rapaz namorador e já havia perdido muitas moças para o seu maior rival. Elas se cansavam das bebedeiras, da falta de compromissos e iam se dedicar às causas sociais e buscavam na religião o amparo pelos estragos que ele havia feito na vida delas. Perdeu muitas para Jesus, como ele mesmo dizia. Mas desta vez não! Pensou.


Algum tempo depois, com idéia fixa de reencontrá-la, já com saúde restabelecida, emprego fixo e local de moradia, propôs casamento para aquele anjo que cuidou dele.


E em uma loucura maior. a freirinha linda e angelical aceitou largar o hábito e se casar com talzinho.


Quando foram oficializar o casamento,  ele chegou bem pertinho do altar, olhou fixo para a imagem de Jesus na cruz  e sussurrou:


- Desta vez eu ganhei, parceiro.