A atendente era uma mulher com seus mais de 40 anos, bem vestida, charmosa e com certa atratividade. Cabelos presos, camisa azul com os dois primeiros botões abertos. Saia justa que delineava sua silhueta. Perguntou o que eu desejava. Sem a menor dúvida fui direto ao ponto.
- Quero uma coroa para botar...Ela nem deixou eu terminar a frase e respondeu prontamente de forma ríspida.
- O que o senhor está pensando. Olhe bem para o senhor. Não tem espelho? Não vou admitir falta de respeito. Coroa deve ser sua mãe. Sou ainda jovem e não me considero como tal.
- Desculpe senhora, eu não queria ofendê-la. Apenas estou precisando....
- Se está precisando, procure em outro lugar e não venha com cantadas baratas como se fosse um pedreiro ou coisa pior - devolveu a tal atendente.
- Me deixe explicar madame. Eu apenas quero saber quanto custa…
- O que ? Acha que estou à venda? que tenho preço. Afinal qual o seu interesse? Me ofende e agora quer me comprar? Vociferou já perdendo a compostura.
- Não é nada disso. Eu só estou querendo muito resolver esta situação, respondi calmamente.
- Pois vá resolver em outro lugar. Aqui não é o local, isto é uma clínica odontológica, tratou de reafirmar a atendente.
- Eu sei e é o que estou tentando saber da senhora, como se faz e quanto custa uma coroa de porcelana, uma jaqueta, um dente de ouro, enfim. É para meu molar inferior direito que está quebrado.
- Ahhhh, finalmente o senhor se fez entender, disse a atendente envergonhada por não ter entendido que eu queria uma coroa de porcelana sob medida para meu dente.
Respirei aliviado, pois os demais pacientes já me olhavam com olhares de culpado, de assediador, querendo a coroa, ou seja a dama de 40 e poucos anos que atendia na recepção.
Consegui agendar a consulta. Da próxima vez já chego de boca aberta mostrando o dente danificado, antes que ela quebre os demais por não entender o intuito.