Era jovem, brincalhona e sempre recebia os clientes, mesmo os que chegavam com lágrimas nos olhos ou profunda tristeza na alma. O seu jeitinho de receber as pessoas tornava aqueles momentos menos piores. Mimi era elegante, sempre disposta e se gostasse da clientela que atravessava aquela porta de triste destino, sentia o sofrimento e a dor das pessoas.
Mimi estava trabalhando há poucos meses, era muito novinha e já desde cedo tratou de se achegar em um local que, também a tratasse bem, onde foi acolhida lhe deram boas condições de trabalho. tinha o privilégio de ficar na frente, olhando o movimento da BR-101, em Maracajá. Por alí passam milhares de caminhões, ônibus, carros, gente com moto e a pé pela calçada.
Os clientes do negócio, geralmente chegavam tristes, chorando, com lenços molhados de lágrimas. Mas Mimi os recebia muito bem. Quando se aquerenciou por alí sabia que a lida poderia não ser muito tranquila, em termos de sentimentos.
Infelizmente o destino traçado da jovem estagiária levou suas sete vidas de uma vez só. Sempre avisaram que não deveria passar aquela faixa preta perigosa. Mimi, trabalhou desde que nasceu em uma funerária às margens da BR-101, onde fazia companhia com a sua chefa e colega de trabalho e de casa. Sim, dividiam a mesma casa e o mesmo trabalho.
Minha amiga de mais de 40 anos, Rosany, perdeu sua estagiária, sua colega de trabalho, que recebia os clientes da funerária na porta da frente. Era relações públicas e recepcionista. Sua alminha continua na poltrona da frente, observando os dragões alados que cruzam a BR-101. Um deles a levou para virar estrelinha.
Certamente a estagiária Mimi está lá nos céus, em sua poltrona de couro, cheirando as flores que aromatizavam seu local de trabalho.