sábado, 2 de maio de 2026

O FRIO LAGEANO E O CONGELAMENTO DO PREFEITO

Agora de manhã, proseando com uma colega lageana, lembrei de um acontecido nas terras altas e geladas de Lages. Fato ocorrido durante a Festa do Pinhão de 2002 que coincidiu com a Copa do Mundo, o ano do Penta.


Naquele ano, o prefeito de Joinville Luiz Henrique havia renunciado em 4 de abril para se candidatar a governador e o vice-prefeito Marco Tebaldi assumiu o governo. Recebemos o convite para ir na Festa do Pinhão e fomos recebidos e hospedados no Rancho Rochedo do sempre agradável Roberto Amaral, dono do grupo de comunicação SCC.


Seguimos de Joinville, o Tebaldi, eu, o Ivan na pilotagem e o ex-vereador João Gaspar. Noite agradável, encontro com amigos de longa data, música boa e comida melhor ainda. Naquele ano o ex-prefeito de Florianópolis preparou um entrevero de frutos do mar, algo diferenciado que fez todos lamberem os beiços. Lá pelas 2 horas da madrugada seguimos para o Rancho Rochedo, naquele frio de renguear cusco. Até comprei uma manta de lã e enrolei no pescoço para me proteger do vento gelado e um chapéu para não pegar friagem.


Chegando no Rancho Rochedo começou a fiasqueira. Após horas de estrada e programação noturna intensa, cheiro de fumaça das fogueiras que assavam pinhões, esquentava água para o mate e o preparo do entrevero e churrasco. Estávamos cobertos de fumaça, gordura e acho que um zorrilho era mais perfumado e chegava perto. 


Encontramos quartos bem aconchegantes, mas a hora da verdade quando um gaudério mostra sua força é no momento de deitar o pelo no lençol gelado. Chora lágrimas de gelo. Mas o aquecedor a óleo ajudava no aquecimento do ambiente. Gaspar estava com medo que aquilo pudesse pegar fogo e não queria acionar. Ivan, não muito certeiro queria dormir no salão. Disse que ele congelaria lá embaixo pois na frente tem um lago e estava congelado. Eu me deitei com roupa e tudo. Vestir pijaminha de pelúcia? Nem pensar naquela altura. Sairíamos cedo para retornar a Joinville.


E Tebaldi resolveu que não iria dormir enfumaçado. O vivente se foi para o chuveiro e minutos depois ouvimos um grunhido, uma resmungação, um pedido de ajuda. Imaginei que era alguma alma penada de antigos tropeiros. Desconfiados fomos até o quarto dele e lá estava o prefeito da maior cidade catarinense tremendo, batendo de queixo como se fosse guizo de cascavel. Bateu a hipotermia. O Ivan lembrou que viu num filme que se deitando por cima do congelado aqueceria o tal e sobreviveria. Nenhum dos três se animou. Tratei de pegar um monte de cobertores de lã e jogar por cima do xiru véio e ligar o aquecedor. Alguns minutos depois recuperou o calor corporal e passou a tremedeira.


Na manhã seguinte, na hora do café, num sábado gelado, olhamos pela janela e o cenário era de uma pintura. O cerro branco de geada, a água do lago congelado e um cusco maleva rengueando de frio pelo gramado coberto de gelo, deu para entender o fiasco da noite anterior. Mesa farta, café passado e pancinha cheia retornamos para Joinville. Não tirei minha manta e nem meu chapéu que uso até hoje. Em breve chega o frio, pinhão, comida boa, música gaúcha e a alegria de viver com boas lembranças.



sábado, 25 de abril de 2026

MICHAEL JACKSON. O MAIOR ASTRO POP DA HISTÓRIA NOS CINEMAS



Já chegou aos cinemas o filme sobre a carreira do maior astro pop mundial surgido em todos os tempos. Michael Jackson nasceu com talento e encantou o mundo.  Foi criativo, inovador e mudou o modo de se ver a música com seus clipes que eram chamados de mini-filmes. Até então os artistas só apareciam tocando e cantando. Ele contou a história de suas  músicas com coreografia, figurinos, cenários e qualidade esmerada na produção, além de todo o talento criativo. 


Quebrou as barreiras com Beat It, obrigando o canal MTV a exibir um artista negro, o que o canal não mostrava. Seu talento não poderia ser ignorado por um canal de TV que só exibia artistas brancos. Nos anos 80 a MTV ditava quem seria sucesso. Não demorou para explodir na Hot 100 da  Billboard.

Michael foi um vencedor, não porque seu pai repetia que na vida ou se é vencedor ou perdedor. Venceu pelo seu talento único.  Hoje, o pai dele estaria preso por abusos físicos e psicológicos. Surras de cinta, manipulação psicológica, exploração financeira eram as estratégias do pai Joe Jackson.


Sempre fui fã de Michael e relembro quando eu e minha mãe Lili assistíamos os clipes revolucionários que eram exibidos no programa dominical Fantástico. Ela também gostava e quando ia passar ela me chamava. Não perdíamos. 


Em 2010 visitei a exposição Michael Jackson: The Exhibition Oficial,  no centro de eventos O2, em Londres, onde ele faria  uma série de 50 shows. A arena O2 se transformou em um lugar de culto utilizado pelos fãs para honrar a memória do cantor, morto no dia 25 junho de 2009.


Quem gosta de Michael Jackson precisa assistir este filme que está em exibição nos cinemas . Vou assistir de novo.


legenda: Esta luva icônica é uma das 250 peças que estiveram na exposição no O2 em Londres, entre 28 de outubro de 2009 até 28 de fevereiro de 2010.

crédito: foto tirada por Arthur Ramiro Cruz de Lima, fã incondicional. 



sexta-feira, 17 de abril de 2026

TE AMO TANTO E VOCÊ SE AFASTA DE MIM



Não sei até quando vou suportar este seu desamor. Te amo tanto! Fico te observando, te admirando e esses seus olhos azuis são os mais lindos que eu já vi.


Tento chegar perto e você sai. É dissimulada, foge, escorre e não a vejo mais. Tento de novo, chegar perto, te tocar e sentir o seu cheiro, mas você me rejeita como tem feito todas as vezes que me aproximo.


Não me canso de rastejar, de te procurar, de tentar receber um afago qualquer. Apenas um toque seu me faria feliz, mas infelizmente chego a conclusão de que você nunca me amou. 


Sinto ciúmes de você, quando está acompanhada e com tantas carícias, tantos cuidados, tantos abraços e beijos. Me pergunto, porque não eu? O que eu te fiz de tão mal? Você nunca me deu uma única chance de demonstrar o que sinto, o quanto eu te amo.


O carinho, atenção, acolhimento e amor que recebi de estranhos,  são muito importantes, valorizo muito, mas eu só queria, pelo menos uma vez que você me abraçasse e nada falasse. Apenas me olhasse com teus lindos olhos azuis, nos meus olhos negros que em me sentiria agradecido por toda a eternidade.


Me rejeitastes ao nascer. Mãe, seja feliz com quem você escolheu. Tenho novos pais e irmãos que cuidam de mim. 


Sempre te amarei e estarei olhando de longe, seus lindos olhos azuis são inesquecíveis.


Este é o pensamento da gatinha que foi abandonada ao nascer e que tenta todos os dias se aproximar. Bem...vou lá preparar a mamadeira e depois brincar um pouco com ela. Não tenho olhos azuis, mas o carinho que ela precisa, e nesta sexta-feira de sol vamos “lagartear” um pouco. 


terça-feira, 14 de abril de 2026

DE FÉRIAS COM A GATA NA CAMA

Hoje conversei com um amigo de longa data e falamos sobre vários assuntos. Lá pelas tantas ele me perguntou o que ando fazendo. Respondi que dedico meus dias e noites a ficar na cama com minha gata. Afinal estou de férias.

A reação foi de indignação. Questionou sobre isso. Falei que está sendo ótimo uma gata bem mais jovem e na flor da vitalidade. Meu amigo desfiou um rosário contra minha atitude. Questionou a idade, e  se eu não tinha vergonha da minha atitude. Disse que estou feliz, que nada me incomoda, nem os três filhos dela que considero meus.

Escreveu algumas ofensas que relevei, pois é um amigo de mais de 40 anos. Afinal para ele é um pecado sem perdão, afinal estar na cama com alguém que  poderia ser minha neta.

Mas como um bom idoso, já não me incomodo com o que pensam ou deixam de pensar sobre minha conduta. Os únicos seres imprestáveis que não suporto, ainda, são os fumantes, pois fedem. Mas eles se defendem que fumam com o dinheiro deles. Portanto, o que gasto com a minha gata ninguém tem nada com isso.

A companhia dela é agradável, seu dengo, malemolência, e suas carícias são impagáveis. Principalmente quando ela vem se retorçando, me acariciando, querendo algo mais. Me faço de desentendido para ela insistir um pouco mais. Só nestas situações que me aprumo, saio da cama e ela me segue. Seu olhar gateado, encantador me fazem atender seus desejos. 

Encho o potinho com ração da melhor marca e misturo doses generosas de molhos especiais da mesma marca. E assim vai nosso amor. Vai durar mais alguns dias para ciúmes dos invejosos. 


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Giogi Alphonsus I

O nome poderia ser da nobreza européia, nórdico, daqueles nascidos nas montanhas de neve nos alpes. Afinal é todo branco e poderia facilmente se misturar ao cenário.


Mas Giorgi Alphonsus I tem uma história de vida triste. Dos cinco irmãos, dois morreram após o nascimento. Sua mãe o rejeitou nos primeiros dias e preferiu outros dois que ela levou embora consigo para outro lar.


Alphonsus ficou à própria sorte, mas foi adotado por gente que o amparou. Mamadeiras com leite especial para recém- nascido. Sobreviveu e já está mais fortinho. Após sua alimentação gosta de um bom cochilo e se aventura por terras nunca exploradas.


Em uma de suas incursões deparou-se com sua genitora que se afastou. Ele tentou uma aproximação e ela não permitiu que ele chegasse mais perto. Foi embora. Mas Giorgi Alphonsus I pouco entende ainda, mas segue o seu caminho. Uma cochilada, uma espreguiçada e mantém seus domínios em uma nova, seca e ampla caixa de papelão, chegada recentemente do supermercado em sua residência uma inscrição Tapioca. 


Viva longa a Giorgi Alphonsus I.


sábado, 28 de fevereiro de 2026

O ENCANTO E A MAGIA DO CIRCO


Resolvi ir ao circo, algo que não fazia há anos. Fui na primeira sessão da tarde, para evitar sair de noite e também não cochilar durante o espetáculo. Enfrentei a fila para comprar ingresso, sob o sol sahariano de Joinville. Como não havia para idosos, já escolhi um lugar no camarote vip, bem na frente do palco. Um rapaz com máquina fotográfica passava e tirava fotos. Reunia as famílias bem perto e fotografava.


Ao meu lado sentaram um menino de pouco mais de 3 ou 4 anos com a bela e atraente mãe, vestindo um short verde bem justo e curto, e a blusinha que exaltava seus atributos físicos. E lá passava o fotógrafo fazendo retratos de grupos. A esta altura eu implorava pelo vendedor de água. Imagina o calor de Joinville e a lona do circo fervendo, mais a dama ao meu lado. Ferve qualquer radiador.


Fiquei observando o andamento das coisas antes do espetáculo. Uma moça vendia "fantasminhas", outro oferecia minions que solta bolhas de sabão, um rapaz oferecia brinquedinhos iluminados, daqueles que não servem para nada. Só giram com uma luzinha, mas para os pequeninos é um atrativo que tira dinheiro dos pais. Mais tarde reconheci os vendedores. Todos eram os artistas que iriam se apresentar em seguida. Ahh, o retratista? Continuava passando e fazendo clics.


Iniciado o espetáculo dá gosto de ouvir  o apresentador anunciando as atrações imperdíveis e exclusivas:


- Diretamente do México, o fenomenal equilibrista. E o rapaz se apresentava. Reconheci. Era o que vendia os brinquedos de luzinha.


- Vinda dos maiores circos da Europa a acrobata aérea. Fazia um número enrolada em uma corda , inclusive se pendurando e rodando presa pelo pescoço. Ela era a mocinha que vendia os "fantasminhas".


- Chegado hoje de Las Vegas, o Grande Mágico dos Cassinos - anunciou o apresentador. O mágico de Vegas é um veterano que vendia outros brinquedinhos em uma bancada na entrada/saída do circo.


- Dos maiores circos da Turquia a impressionante rainha do bambolê e dos cubos mágicos. Esta custei a lembrar de onde eu havia visto. Também passava com outros brinquedinhos e todos com máquina de cartão. É a modernidade tecnológica. E eu querendo ver o tal do retratista. Onde será que se meteu?


E como não poderia faltar, os palhaços sempre alegram não só as crianças, mas os adultos, também.


E o retratista havia sumido. Veio o intervalo e agora dois motociclistas entraram no Globo da Morte. Um era o equilibrista vendedor de brinquedos com luzinhas. Sim, o mesmo. Era ele. O outro era o dito retratista que havia sumido. Descobri onde se escondeu. Ninguém me engana com o raciocínio e talento de um Hercule Poirot, ou verdadeiro Sherlock Holmes.


Quase encerrando o espetáculo vem uma moça com as fotografias já montadas em um chaveiro. 


- Senhor, a foto de sua família, Aceitamos crédito, débito e pix. E o piazinho nesta altura já estava colado em mim, querendo ver a foto dele, da mãe e do tio que sentava ao lado.


-Esse não é o papai! Não é o papai! repetia o menininho.


Tratei de esclarecer o ocorrido e sair rápido. Vai que gostam da minha pessoa no retrato. Vi que a moça, mãe do piá, comprou. A dúvida é se vai me cortar do retrato? Nem imagino o que vai explicar em casa, mas o circo continua sendo mágico. Espetáculo familiar, gostoso e mesmo sabendo que o mágico não é de Las Vegas e os truques são sempre os mesmos. Acreditei que ele tirava os quatro pombos do bolso, do lenço, da cartola e um pombo fujão que saiu do cone que ele fez de papel, na frente dos olhos vivazes da platéia.


Querem saber se fiquei fotogênico no retrato com o meninho e a com a mãe dele? Huumm. Não vão saber.



domingo, 22 de fevereiro de 2026

RECONHECIMENTO FACIAL FOI INVENTADO NO RIO GRANDE DO SUL

 

Andei lendo notícias de que muitos lugares do mundo já contam com um software de reconhecimento facial, e que o Grande Irmão sabe tudo. O escritor George Orwell já havia escrito o livro 1984, que trata do controle absoluto dos cidadãos pelo Estado totalitário. Certamente este escrivinhador inglês se baseou na gauchada, onde se conhece o vivente pela cor do pelego. 


Certa feita eu estava caminhando pelo calçadão da Rua da Praia, no centro histórico de Porto Alegre, mais precisamente em 1984, bem no ano do título do tal livro, quando presenciei uma cena capaz de fazer inveja aos mais desenvolvidos programas de reconhecimento facial, que apenas hoje em dia estão sendo utilizados, 40 anos depois do acontecido.


Um vivente estava saindo do Banrisul com a guaiaca bem gordinha, abarrotada de Cruzeiros. Pilchado, botas de cano alto lustradas, lenço maragato no pescoço e um pala de lã no braço direito para esconder a prateada que levava na mão e a garrucha na cintura, enfiada no cinto da guaiaca por trás. Tem que se precaver contra os malfeitores da cidade grande.


De longe ele ouviu um grito:


- Mas bah! Como está seu Pedro de Soledade?


O gaúcho velho ficou espantado, já estava ali perto da Rádio Guaíba, caminhando em direção ao Mercado Público onde faria uma refeição, algumas compritas e seguiria para a rodoviária para pegar o ônibus. Também compraria alguns temperos e especiarias culinária que foram encomendas por Nair Terezinha, sua senhora. 


Avisado que na capital tem muitos golpistas se ouriçou com a abordagem de quem não conhecia. Afinal havia ido ao Banrisul retirar uma boa quantia da venda de um rebanho de Angus, feita em um  leilão de gado. Olhou desconfiado para o sujeito que o reconheceu e com a prateada na mão, escondida por baixo do pala de lã  quis saber como o conhecia.


- Que mal lhe pergunte, moço. Como o senhor sabe que sou Pedro e de Soledade? E já com a mão esquerda levou para as costas e puxou a garrucha. Seus cobres ninguém levaria sem uma peleia. 


- Não se assuste seu Pedro. É fácil reconhecer qualquer vivente de qualquer querência.


- Este causo está mal contado. Ou me fala ou abro seu bucho e enrolo as tripas bem aqui neste poste de luz. 


- Não precisa nada disso. Eu lhe explico. É fácil saber que seu nome é Pedro, já que usa uma fivela da guaiaca com a inicial de seu nome. A Letra P em maiusculo, bem desenhada, só poderia ser Pedro em homenagem ao seu nome que foi dado para homenagear a Província de São Pedro que originou o nosso querido Estado do Rio Grande do Sul.


- Mas como o senhor sabe que sou de Soledade?


- Também é fácil. É só ver os talhos de facão na cara. Lugar de gente braba e encrenqueira.


Não deu tempo do advinho concluir a prosa. Pedro deu dois tiros de garrucha, daquelas com dois canos e único tiro em cada um. Puxou o rebenque rabo de tatu, que levava junto e correu atrás do maleva pelo calçadão. 


Só fiquei bombeando a cena, meio de longe para não ser reconhecido, também, ou o seu Pedro poderia achar que eu tinha alguma coisa a ver com o reconhecimento facial, usado pela gauchada, muito tempo antes do surgimento do computador e câmeras de vídeo. É só falar com as véias da vizinhança. Sabiam de tudo, antes mesmo de acontecer. Davam tantos detalhes que a ciência vai demorar para aprimorar algum programa que chegue perto da vigilância em questão. Agora vou matear na frente de casa e dar uma olhada na vizinhança. Nem precisa câmeras de vídeo.