Mais uma grata surpresa se revela saindo de trás das cortinas de um livro antigo. Uma carta escrita há 36 anos, do tempo em que se escrevia a mão, se colocava em um envelope e íamos nas agências dos Correios para selar e enviar. E se esperava uma resposta.
Esta carta recebi de minha mãe, onde ela conta a rotina diária, o que fazia e o aperto no coração de não ter minha convivência. Mesmo crescendo não deixamos de ser crianças. Mesmo eu já estar encaminhado na vida, formado e com três bons empregos e portanto renda para me manter, ela avisa que vai me mandar “uns pilas para eu comprar uma paleta de ovelha”, sabedora que era de meus gostos culinários.
Conta como estão os amigos próximos e os irmãos. E esta era uma rotina semanal que tínhamos. Todas as manhãs ela preparava um mate e sentava na área em frente da casa esperando o carteiro, que era nosso vizinho e corredor. De vez em quando ele parava, tomava uma cuia e seguia. Na semana em que eu não enviava uma carta certamente seus dias não eram felizes. Mas às vezes eu telefonava para a casa da vizinha e iam chamá-la, mas nada substitui uma carta, que podemos guardar, recordar, reler e revivermos tempos quando éramos felizes com muito menos.
Esta sobreviveu ao tempo, às mudanças graças a um livro. Guardarei, como sempre, com muito carinho.
Quanto a ovelha, é bom demais e neste final de semana está acontecendo a Festa da Ovelha em Campo Alegre. Dá vontade de subir a serra e me deliciar com uma paleta. Claro que é uma inteira só para eu degustar.
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