quarta-feira, 27 de agosto de 2025

SETE CASAMENTOS E A CIBALENA

Aproveitei minhas férias para uma sessão “Por Onde Anda?”. Reencontrar amigos que se distanciaram e puxar uma prosa. Há tempos queria saber por onde anda um amigo que estudamos juntos no ensino fundamental e éramos próximos. Estudávamos na mesma sala, comentávamos os mesmos assuntos e assim a vida ia. Naquela época, Fevers, em 1978, fazia um sucesso danado e o grande luxo era um toca-fitas para ouvir os lançamentos. 


Veio os anos 80 e cada um foi para uma escola de “segundo grau” e não nos vimos mais. Na semana passada, comentei com meu sobrinho Fábio, de Erechim, sobre alguns nomes e ele conhecia meu colega. Me mandou o whatsapp e entrei em contato. Conversamos e falamos da trajetória de 45 anos sem se ver. Prosa boa como se tivéssemos mantido contato, neste quase meio século. 


Falei de minha trajetória profissional e sobre a vida, filhos e como estou hoje. Daí ele me contou que já se aposentou e durante este período casou sete vezes. Argumentei que isto era conta de mentiroso. 


A primeira foi uma colega nossa de aula. Andavam de namorico e acabaram em casamento. Me contou que o casório acabou por causa da “dor de cabeça”. E as outras seis? Perguntei. A resposta foi a mesma. Tudo por causa da dor de cabeça.


Achei estranho. Perguntei, mas você tem alguma doença, tumor, pressão alta, endividamento, incomodação com filhos ou parentes? Para ter tanta dor de cabeça?


Me explicou que a “dor de cabeça” era a razão dos descasamentos repetidos com as  sete mulheres. 


- Fico num caminhão dia e noite puxando carga, aturando “chapas” e patrão explorador. Quando chego em casa, a primeira coisa que me falam é que estão com “dor de cabeça” e indispostas. Nem bem abri a porta e tal dor de cabeça chegava antes de mim, desabafou o vivente.


Ponderei que para elas também deve ser complicado ficar horas e dias em casa à espera de companhia. Proseamos mais um pouco sobre futuro e amenidades. Em torcia pelo Ypiranga e ele pelo Atlântico e antes de se despedir, me confidenciou que anda arrastando a asa para uma vizinha e que eu conhecia dos velhos tempos. Lembro vagamente da mocinha q que hoje, certamente passa dos 60. Me despedi e ficamos de marcar um mate quando eu for a Erechim, no final do ano.


Aproveitei para pegar o endereço dele e ontem passei na farmácia. Comprei uma caixa de Cibalena e despachei pelos Correios. No envelope um santo remédio que era tiro e queda e um bilhete escrito o seguinte: Fulano,a amigo véio, este é meu presente para seu novo casamento. Quando chegar em casa, já abra a porta com a Cibalena em mãos e um largo sorriso e diga: - Meu amor te trouxe um presentão! Não vai ter erro. Em dezembro vou te visitar. Agora é esperar os resultados de meu aconselhamento. 


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