sábado, 20 de setembro de 2025

O PRIVILÉGIO DE CONVIVER COM OS AMIGO

Nas duas últimas semanas tive o privilégio de poder conviver algumas horas com um grupo de amigos, que nos conhecemos há mais de 30 anos. Começou com uma viagem epopeica. O grupo de senhores respeitáveis visitaram o novo ponto turístico de Joinville, a revitalizada Vigorelli. Todos foram comportados dentro de um carro como se fossem crianças em excursão de escola.  Comentários sobre como a cidade mudou para aqueles lados não faltaram. Pela idade avançada de alguns, lembram quando era tudo mato e mangue e outro recordou quando a piazada ia de bicicleta tomar banho na babitonga ou pescar.


Ao chegar na Vigorelli, os olhos da velharada saltaram. Dia bonito, de sol e muita gente pelos restaurantes, apreciando a vista, os barcos, o movimento, as mesas cheias e as belas moças que passavam. Um deles só repetia o mantra: ahhhh…meu tempo… Sim fica na lembrança desejos mais ardentes estimulados pelos raios de sol. 


Procurávamos um restaurante com comida boa e preço justo para que todos pudessem pagar.  Pedi uma respeitável caipirinha de steinhaeger Doble W, de Porto União, umas das melhores do mundo. O outro colega me acompanhou no pedido. Os outros preferiram algo mais leve como cerveja. Feito o pedido do prato, que veio rápido e farto, degustamos as delícias do mar sem esquecer da degustação com olhos distantes e saudosos da beleza externa. De vez em quando um dos velhotes suspirava fundo e repetia o mantra sussurrando: ahhh…meu tempo…


Conversamos sobre os mesmos assuntos de sempre, falamos mal de um colega distante que não veio ao encontro, citando o escritor pernambucano Ariano Suassuna que julgava ser de extremo mau gosto falar mal de alguém na cara da pessoa. O elegante e divertido é esperar o sujeito dar às costas. Aí sim tem mais gosto e é mais prazeroso.


Após o almoço fizemos um roteiro por toda orla para ver o movimento. E seguimos para casa. Entreguei as cargas, cada qual em sua casa, e despachei um deles na rodoviária, pois tinha de voltar para Jaraguá do Sul. Veio especialmente para nosso almoço. Um esforço hercúleo anual. 


E para completar, novamente vivemos momentos alegres nesta sexta-feira com nova assembléia para comemorar o aniversário do João Francisco. Não revela a idade, mas entre abduções o vivente deve estar beirando quase um século. A paella estava devidamente deliciosa, preparada pelo talentoso engenheiro Gerson. Figura fina, cavalheiresca e gourmet sofisticado.


Seguiu a prosa do grupo, novamente sobre os mesmos assuntos, mesmas piadas contadas há anos. E de repente notamos que faltava alguém na mesa. O aniversariante sumiu! Como dizem,  saiu à francesa, pois o relógio marcava 20 horas e ele tem permissão até tal horário para ficar fora de casa. O grupo entende. Olhamos para o céu para ver se haviam luzes coloridas, Afinal, eles andam por aí, catando velhotes.


Mas seguimos proseando. Alguns mais exaltados, disputando a fala com um cusco que insistia em participar da conversa. Também queria ser ouvido. E a pérola da noite foi de nosso artista, arquiteto, testemunha vivencial da história joinvilense no último século, contador de histórias e conhecedor da boa comida e de bons vinhos. Sim. Ele levanta o dedinho para entornar a taça de cristal.  Lá pelas tantas a conversa enveredou sobre lugares do mundo, lugares bonitos e o sonho de alguns em morar numa praia ou em um sítio, após o retiro merecido. Nosso filósofo Nilson Delai, aprofundou seu pensamento filosófico e todos ficaram em silêncio esperando a pérola do pensamento:


    - Casa de frente para o mar? Chácara? Nada disso! Quero uma casa de frente para o hospital. Se precisar, não preciso correr. Todos concordaram. 


O cartesiano Gerson, como o dono das taças queria ir embora, apressou o recolhimento das finas peças de cristal tcheco da Bohemia e encerramos mais um encontro de senhores respeitáveis. Mais fico feliz, que nenhum deles pinta o cabelo de acaju ou preto. Velho de cabelo pintado será desconvidado ou cancelado do grupo.  Capítulo já aprovado em nosso regimento. 


E como hoje é Dia do Gaúcho, ou da Revolução Farroupilha é uma boa oportunidade para fazer um chimarrão com erva mate cancheada de Erechim e ouvir Veterano, na interpretação do cantor Leopoldo Rassier. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário