segunda-feira, 22 de setembro de 2025

O QUE FIZERAM COM MEUS FILHOS E COM MINHA CASA?

 Ela andava triste carregando seu único filho que restara daquela selvageria. Nada falou. Andava de um lado para o outro tentando entender como alguém poderia fazer algo tão cruel. 


Seguia por todos os cantos, olhava, levantava a cabeça e não entendia. Até há pouco era uma família de  seis filhos e uma casa quentinha, confortável, no alto. Não faziam mal para ninguém. Pelo contrário, faziam o bem para os que moravam por ali. 


Três dos seis filhos sem vida estavam jogados no chão, dois sumiram e só lhe restou um. Protegendo o único que sobrou, ela chegou perto do primeiro e  tentou carregá-lo, que sem vida, inerte não teve qualquer reação. No segundo filho ela beijou, sentiu seu cheiro e seguiu para o terceiro, que também sem um sopro de vida ali ficou. 


Ela rodou por mais uns instantes e viu os restos de sua casinha, em frangalhos, espalhados. Olhava para o lixo que já foi sua casa, onde os filhos nasceram. Percorria o olhar dos escombros em direção de onde moravam. Tentava entender o que houve. Não tinha mais casa, não tinha mais filhos. Não se alterou. Ficou em círculos, buscando respostas para o que ocorreu naquele lugar.


Pensou, como pode alguém ter tanta maldade? Destruir minha casa e matar meus filhos. Porque? O que fizemos?


Nenhuma resposta veio. Ninguém falou nada. Ali ela sentiu que não eram bem vindos. Não os queriam por perto. Será que amedrontavam as pessoas? Mas seus filhos eram inocentes, nem tiveram a chance de serem maus ou bons. Porque não deram a oportunidade de que pudessem crescer na casinha no alto?


É assim que senti, me colocando no lugar desta mãe, que olhava e seu olhar triste me questionava o que havia feito de tão ruim para receber tal castigo.


Se eu pudesse, eu falaria a ela que não tive culpa. Olhei para ela, tentei chegar perto e me explicar, mas ela preferiu seguir outro caminho e me evitar, possivelmente por medo de que eu ou alguém fosse tirar o único filho que sobrou ou tirar a vida dela, consequentemente do inocente que ela carregava.


Se uma chance tivesse eu diria:


- Queríamos o melhor, ou seja um novo lar, no meio de árvores, da natureza, sem poluição, sem barulhos e que eles pudessem crescer sem ameaças e sem perigos. Principalmente onde seriam aceitos.


Não tive esta oportunidade. A mamãe gambá, com seu único filhote agarrado às suas costas, apenas virou o focinho para trás, me olhou com ar de amargura e subiu no pé de canela. Não a vi mais, mas meu coração ficou mais sofrido que o dela. 


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