Há anos eu queria conhecer as cidades históricas de Minas Gerais. Nos últimos dias de dezembro passado surgiu oportunidade de última hora. Não tive dúvidas. Iria conhecer as igrejas e esculturas de Aleijadinho e também o pão de queijo, o doce de leite e o café.
Ouro Preto é uma riqueza impressionante em seu conjunto arquitetônico sacro. E a Basílica do Pilar com 500 quilos de ouro impressiona. Em valores atuais ultrapassa 450 milhões de reais só em ouro usado nas esculturas e adornos. Em Congonhas as esculturas dos profetas feitas por Aleijadinho impressionam. Feitas há mais de 230 anos em pedra sabão resistem ao tempo.
Mas os patrimônios mineiros como pão de queijo, doce de leite, goiabada, cachaça e café são insuperáveis. E este patrimônio causou uma confusão no aeroporto de Belo Horizonte com um joinvilense ao passar no scanner.
Passageiros na fila, enfrentando um calor infernal foram surpreendidos pelo alerta sonoro e a lâmpada vermelha acesa no guichê da Polícia Federal. Logo se fez tumulto , os curiosos queriam saber do que se tratava. Policiais armados chegaram e convidaram o joinvilense para acompanhá-los na sala da PF com bagagem.
Aberta a mala, um contrabando de fazer inveja a Al Capone. Havia um sortido de garrafas de cachaça, vários pacotes de café moídos na hora, ainda quentinhos e aromáticos. Várias marcas de doce de leite e peças inteiras de queijo curados e frescos. Todos com selo de procedência da Canastra. E um pacote duvidoso de 1 quilo de um pó branco.
- O senhor sabe que se o teste der azul o senhor vai direto para o xilindró, avisou o policial.
- Fiz nada não, moço. São só alguns presentes, argumentou com pavor no rosto.
O teste não deu azul e o policial indagou o que era aquele pó branco, quantidade considerável.
Com sotaque mineiro, o "joinvilense" explicou que era minheiro e vivia em Joinville com a famílias há alguns anos. foi visitar parentes e estava levando uns presentes originais de Minas e quando ao pozinho braco explicou.
- É que minha muié, gosta de pandiquejo com cafezin. E o porvio do sul não é tão bão como o de Minas. O porvio azedo daqui é bão dimais moço. Tô levando pra ela. E óia que o pandiquejo dela é um trem bão dimais.
Explicado o ocorrido, a Federal liberou o passageiro com suas encomendas que pode embarcar. No avião passageiros putos com o mineiro joinvilense, pelo atraso do voo, desfizeram a cara feia quando ele entrou com uma cesta de pandiqueijo quentinhos que comprou no aeroporto e foi oferecendo aos viajantes até chegar na poltrona dele.
No próximo contrabando foi orientado a escrever na embalagem; "porvioazedo di minas pra modi fazê pandiquejo".
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