Resolvi ir ao circo, algo que não fazia há anos. Fui na primeira sessão da tarde, para evitar sair de noite e também não cochilar durante o espetáculo. Enfrentei a fila para comprar ingresso, sob o sol sahariano de Joinville. Como não havia para idosos, já escolhi um lugar no camarote vip, bem na frente do palco. Um rapaz com máquina fotográfica passava e tirava fotos. Reunia as famílias bem perto e fotografava.
Ao meu lado sentaram um menino de pouco mais de 3 ou 4 anos com a bela e atraente mãe, vestindo um short verde bem justo e curto, e a blusinha que exaltava seus atributos físicos. E lá passava o fotógrafo fazendo retratos de grupos. A esta altura eu implorava pelo vendedor de água. Imagina o calor de Joinville e a lona do circo fervendo, mais a dama ao meu lado. Ferve qualquer radiador.
Fiquei observando o andamento das coisas antes do espetáculo. Uma moça vendia "fantasminhas", outro oferecia minions que solta bolhas de sabão, um rapaz oferecia brinquedinhos iluminados, daqueles que não servem para nada. Só giram com uma luzinha, mas para os pequeninos é um atrativo que tira dinheiro dos pais. Mais tarde reconheci os vendedores. Todos eram os artistas que iriam se apresentar em seguida. Ahh, o retratista? Continuava passando e fazendo clics.
Iniciado o espetáculo dá gosto de ouvir o apresentador anunciando as atrações imperdíveis e exclusivas:
- Diretamente do México, o fenomenal equilibrista. E o rapaz se apresentava. Reconheci. Era o que vendia os brinquedos de luzinha.
- Vinda dos maiores circos da Europa a acrobata aérea. Fazia um número enrolada em uma corda , inclusive se pendurando e rodando presa pelo pescoço. Ela era a mocinha que vendia os "fantasminhas".
- Chegado hoje de Las Vegas, o Grande Mágico dos Cassinos - anunciou o apresentador. O mágico de Vegas é um veterano que vendia outros brinquedinhos em uma bancada na entrada/saída do circo.
- Dos maiores circos da Turquia a impressionante rainha do bambolê e dos cubos mágicos. Esta custei a lembrar de onde eu havia visto. Também passava com outros brinquedinhos e todos com máquina de cartão. É a modernidade tecnológica. E eu querendo ver o tal do retratista. Onde será que se meteu?
E como não poderia faltar, os palhaços sempre alegram não só as crianças, mas os adultos, também.
E o retratista havia sumido. Veio o intervalo e agora dois motociclistas entraram no Globo da Morte. Um era o equilibrista vendedor de brinquedos com luzinhas. Sim, o mesmo. Era ele. O outro era o dito retratista que havia sumido. Descobri onde se escondeu. Ninguém me engana com o raciocínio e talento de um Hercule Poirot, ou verdadeiro Sherlock Holmes.
Quase encerrando o espetáculo vem uma moça com as fotografias já montadas em um chaveiro.
- Senhor, a foto de sua família, Aceitamos crédito, débito e pix. E o piazinho nesta altura já estava colado em mim, querendo ver a foto dele, da mãe e do tio que sentava ao lado.
-Esse não é o papai! Não é o papai! repetia o menininho.
Tratei de esclarecer o ocorrido e sair rápido. Vai que gostam da minha pessoa no retrato. Vi que a moça, mãe do piá, comprou. A dúvida é se vai me cortar do retrato? Nem imagino o que vai explicar em casa, mas o circo continua sendo mágico. Espetáculo familiar, gostoso e mesmo sabendo que o mágico não é de Las Vegas e os truques são sempre os mesmos. Acreditei que ele tirava os quatro pombos do bolso, do lenço, da cartola e um pombo fujão que saiu do cone que ele fez de papel, na frente dos olhos vivazes da platéia.
Querem saber se fiquei fotogênico no retrato com o meninho e a com a mãe dele? Huumm. Não vão saber.
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