quarta-feira, 6 de maio de 2026

O AUTO DA APARECIDA

O renomado escritor pernambucano Ariano Suassuna escreveu o Auto da Compadecida, imenso sucesso editorial que virou filme e peça de teatro. Mas vou lhes contar um episódio que envolve o Auto da Aparecida. 


Aparecida era uma santa mulher, muito dedicada à família e aos amigos. Em uma manhã de sábado estava sendo aguardada na Paróquia a que ela pertence. Não falhava em seus compromissos e nunca deixou uma alma desassistida ou esperando por ela. Era pontual. Repetia que não estaria em um compromisso se estivesse morta. Aparecida era uma santa, repetiam os vizinhos e até gente de longe já conhecia a fama dela de ser leal, pontual e altruísta.


Naquele sábado haveria festa na igreja com missa, churrasco e bingo de tarde. Todos os festeiros voluntários já haviam chegado cedo para começar os preparativos de copa e cozinha, bem como auxiliar na missa e arrumar tudo para o bingo com ótimos prêmios que aconteceria de tarde. Já passava das 8 horas e nada de Aparecida que estava com as chaves do salão. O pároco confiava as chaves nas mãos dela porque era responsável e nunca falharia com os demais.


Pouco mais de meia hora de espera surge na esquina um garoto correndo, esbaforido que chegou perto do grupo cansado sem poder falar e com sofreguidão deu notícias sobre Aparecida.


  • Dona Aparecida não vem! Anunciou o garoto com dificuldades de falar e respirar devido ao cansaço por ter vindo correndo para avisar.

  • Per l`amor di Dio. Quello che è successo? Questionou o padre.

  • Uma tragédia - respondeu o menino que era vizinho de Aparecida. Entregou as chaves para que pudessem abrir o salão.

  • Me conta, o que aconteceu? Insistiu o padre.

  • Uma tragédia…e ela não vai poder vir ajudar, repetiu o mensageiro.

  • Desembucha, filho. Parece com esta agonia e conte tudo - ordenou o sacerdote

  • É que o auto de Aparecida estragou, não pegou, não deu a partida, deve ser bateria, explicou.


Todos se calaram por alguns segundos. Se olharam, balançaram a cabeça com tristeza no semblante.


  • Ma Santo Cielo, perché non hai parlato prima- esbravejou o padre que apontou para dois paroquianos e já penitenciou:

  • Corram e empurrem o Auto da Aparecida até pegar. Ela precisa estar aqui. Festa da paróquia sem Aparecida, não é Festa da Paróquia, finalizou o padre


E por falar em festa de Igreja, neste sábado, 9 de maio tem Festa da Padroeira, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro Glória, em Joinville. Missa, churrasco de igreja e bingo. E também vai ter posto de vacinação para quem ainda não se vacinou ou quer atualizar sua carteira de vacinação. 


Aparecida com seu auto estarão lá? Acho que sim, porque festa da paróquia sem Aparecida, não é festa da Paróquia. 


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