Andando pelas ruas de minha cidade - Sim! Minha cidade! Nasci em Erechim, no Rio Grande do Sul, morei em várias cidades mas me estabeleci em Joinville. Portanto sou Joinvilense. - percebo o surgimento de novas casas de repouso para idosos. Algumas são meros depósitos de velhos, jogados numa cadeira ou “sentados no trono com a boca aberta esperando a morte chegar”, parodiando o magnífico poeta futurista Raul Seixas.
Semanalmente alguém comenta: - Fulano está no asilo. Mas daí a gente pensa. Mas ele? Era bem sucedido, dono de empresas, casa aqui, na praia, bem posicionado. Mas precisaria estar numa “casa de repouso”?
Colegas de profissão também acabam tendo de se abrigar em recintos assim.
Perto de onde eu trabalho, onde fica a “repartição”, no bairro Bucarein há várias dessas casas. Geralmente eram residências que passaram por uma pinturinha e colocaram a placa na frente. Assim é no Bucarein, Anita Garibaldi e parte do Atiradores.
Confesso que o coração fica apertado ao passar em frente e ver aqueles olhares tristes, sem brilho, distantes, saudosos. E me pergunto. Será que meu fim também vai ser assim? Largado, abandonado, esquecido?
Estamos vivendo mais. A vida está se prolongando graças a Medicina e aos cuidados que estamos tendo com base na consciência de fazer consultas e exames regulares, um pouco de exercícios e alimentação controlada. Chegar aos 80 já é normal. Chegar aos 90 em breve será coisa comum. Quando eu era criança, uma pessoa com 50 anos era velha. Hoje a “terceira idade” está fixada em 60, mas o governo quer empurrar para os 65. Porém nem todos contam com uma boa saúde, com afeto, carinho, atenção. Às vezes a pessoa só quer um bom dia, uma conversa, alguém que note sua existência.
Tenho curiosidade de saber quem foi o FDP que inventou o termo “melhor idade” deve ser um grande FDP. Babaquice ao quadrado. A dita melhor idade vem com abandono, com custos elevados de remédio, internações, tratamentos, depressão. Planos de saúde exorbitantes e as dificuldades naturais do envelhecimento. Para piorar um governo de burocratas acostumados com vida fácil em gabinetes acarpetados e com ar condicionado, querem obrigar o povo a trabalhar até os 65/70 anos. É canalhice da pior espécie.
O futuro do abandono já chegou. Os filhos seguem seus rumos. Estamos cada dia mais individualistas e sem paciência para o mesmo teto. E se o “velho” tiver parkinson, sequelas de AVC, Alzheimer, enfim doenças da velhice?
Os governantes precisam colocar em seus planos de governo não só cheques públicas, mas asilos/casas de repouso públicas também para quem não pode pagar. No futuro teremos mais idosos do que crianças.
Nascemos de fraldas e terminamos com fraldas.
E assim caminha a humanidade.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
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