sábado, 16 de agosto de 2025

MINHA PRIMEIRA PAIXÃO NA UNIVERSIDADE E SEU OLHAR INESQUECÍVEL

  Já se passaram 40 anos e ainda lembro dela. Eu tinha quase 20 anos e atravessei o Rio Grande do Sul para estudar jornalismo na Universidade Católica de Pelotas. Certa época eu morava na rua Coronel Alberto Rosa, esquina com a Lobo da Costa e no final da tarde seguia a pé em direção a faculdade, uns 700 metros de distância.  E desde a primeira vez que passei por aquela rua,  perto da General Telles, algumas garotas entardeciam com uma roda de chimarrão, principalmente no verão. E ela estava ali. Foi uma troca de olhar à primeira vista.


Assim seguiram semanas, de troca de olhares e acompanhando meu trajeto. Eu era um pouco tímido, pois tinha vindo de uma cidade menor e era meio xucro para estes assuntos, também. Mas disfarçava e dava uma olhadinha para trás. E lá estava os olhos lindos me perseguindo. Várias vezes se fez de desentendida e me seguiu até um trecho, quase perto do antigo Diocesano.


As garotas que moravam num prédio pequeno de três andares e dividiram o aluguel, estudavam uma pluralidade de cursos como enfermagem, assistência social, medicina, artes, direito, engenharia. Em uma dessas tardes, uma delas me cumprimentou e ofereceu uma cuia de mate e começou uma prosa, querendo saber de onde eu era, qual faculdade e sentei na mureta e fiquei conversando, tomando uns mates com balinha de menta. E aqueles olhos encantadores não paravam de me olhar. É claro que correspondi. Estava curioso para saber o nome dela, e quem sabe chegar mais perto. Mas eu era um pouco tímido.


As semanas se seguiram até que ela me parou. Foi quando eu ouvi alguém gritando:


  • Luana, deixa o moço. Ali eu soube o nome daquela encantadora dona dos olhos lindos. Ela pulou em mim, querendo um abraço, se refestelou no chão e de barriga para cima exigiu um carinho na barriguinha. Ali fiquei uns minutos até seguir para a aula. A dona era uma professora que morava por ali.

  • Moço me desculpa. Ela te sujou, posso passar um paninho, se desculpou prestativa.

  • Não, está tudo bem, eu até queria saber o nome dela, já que todo dia ela abana o rabinho e fica toda feliz chegando a fazer xixi na calçada quando eu brinco com ela.


Ficamos amigos, e depois diariamente eu passava por ali, sentava na mureta e fazia algumas carícias na Luana. Depois seguia para a aula. Mas no rígido e cruel inverno do sul do Brasil a paixão esfriava. Ela preferia ficar na janela, dentro do apartamento quentinho. Mas seu olhar continuava me seguindo. Eu abanava, para retribuir o carinho. Ela se remexia de felicidade.


Aquele olhar? Inesquecível.  AAAhhh Luana….


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