domingo, 30 de agosto de 2026

DOCE LATIDOS

São mais de 400 anos de história. Este ano se completaram quatro séculos das missões jesuíticas-guaraníticas presentes no Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina. Os povos das missões foram dizimados, assim como mártires desta bela história de nossa gente.


Um dos mártires que virou santo foi o padre paraguaio Roque González de Santa Cruz. Assassinado e queimado, em Caaró, perto de São Miguel das Missões (RS),  seu coração permaneceu intacto após a tragédia.  Esta relíquia está em Assunção, na Capela dos Mártires da Paróquia Cristo Rei, dos jesuítas. É o primeiro santo paraguaio.


Tive a oportunidade de visitar uma exposição criada por três artistas paraguaios que retratam os 12 batimentos cardíacos de São Roque González. Dentro das comemorações dos 400 anos das missões jesuíticas-guaraníticas a exposição retrata 12 corações que reinterpretam os valores da história e o legado de Roque González. 


Rubén Sykora usa pedrarias, cristais, pérolas e evoca a delicadeza dos altares jesuíticos. Liliana Sykora,  expressa a conexão entre terra, céu e espiritualidade, mostrando a figura humana do padre que se tornou santo. José Quevedo incorpora elementos da rica flora e fauna, folclore, história e a textura artesanal de nossa natureza tropical.


Doce Latidos, uma moderna exposição de arte contemporânea, com resgate histórico e multi sensorial com luzes, sons e áudios com textos para cada um dos 12 corações de Roque González, esteve aberta ao público no Centro Cultural da República El Cabildo, no centro de Assunção.


Assim como os 12 batimentos, os 12 corações evocam os 12 povoados missioneiros, os 12 meses do ano, os 12 apóstolos e os principais eventos do período retratado.   Nossa história é muito rica e precisamos de mais produções artísticas como essa para não esquecermos os 400 anos de história dos povos missioneiros. E para que as futuras gerações compreendam e levem adiante este pedaço de nosso passado e o mantenham vivo, como o coração de Roque González que continua batendo em fé e esperança. 


domingo, 23 de agosto de 2026

FUI NUMA FESTA EM ASUNCION CAPITAL DO PARAGUAY

     O título acima lembra a polca paraguaia Galopera, mas não fui em um baile mas em uma festa de aniversário de um querido e estimado amigo. Em su cumpleãnos oportunizou o reencontro de alguns amigos de faculdade. E lá se vão 42 anos desde o início do curso em 1984 na Universidade Católica de Pelotas. 


A fiesta em Asuncion, como toda festa paraguaia teve horário para iniciar e não para terminar e assim se seguiu na madrugada adentro com direito a boa comida tradicional paraguaia, artistas locais, incluindo harpa paraguaia e finalizando com um baile no bosque com os sucessos do pop rock dos anos 80, quando éramos, jovens,magros e bonitos. 


Karaokê sempre agrada e até os menos afinados como eu se arriscam a cantar Frank Sinatra e por amizade todos aplaudem e elogiam. Inclusive os nativos paraguaios sabiam as letras de cor e salteado dos sucessos de Paralamas, Ira, Kleiton e Kledir, Capital Inicial, Legião Urbana, Barão Vermelho, Cazuza, titãs, Kid Abelha, Lobão, Lulu Santos, Blitz, Engenheiros do Hawaii e tantos outros. Depois de certa hora e embalado pelo clima nostálgico me arrisquei a cantar em guarani. Sucesso total. 


E nesta Fiesta em Asuncion, capital do Paraguai, vi as paraguaias sorridentes a bailar. Pessoas queridas, aprazíveis que tornaram aquele momento marcante em nossas vidas de seis décadas. Sempre repito que a vida é muito curta para deixarmos de viver cada momento. Vale muito reencontrar amigos, recordar de situações vividas e conhecer novos lugares e novas pessoas. E o maior presente que poderíamos ter dado ao aniversariante foi nossa presença em su cumpleaños.


Um forte e sincero abraço no aniversariante e amigo de tantos anos, o paraguaio mais gaúcho e brasileiro que conheci; José Quevedo Allende, protegido pela Virgen de la Asuncion, pois nasceu no dia da padroeira. 


Pra matar minha saudade

Pra minha felicidade, Paraguai, eu voltarei

Pra minha felicidade, Paraguai, eu voltarei 


E como testemunhas del festín en el bosque, apenas o bugio que ficou arriba nas árvores cantando. E vale a máxima: o que acontece em Lambaré, fica em Lambaré.




quarta-feira, 12 de agosto de 2026

VOCÊ ME DEVE UMA LIBRA DE SUA CARNE


Um agiota não perdoa o pagamento de uma dívida e muito menos os juros pelo atraso no pagamento. Nem mesmo se a dívida foi contraída para assuntos amorosos.


Há 430 anos o dramaturgo William Shakespeare, escreveu a peça O Mercador de Veneza, que trata de um empréstimo avalizado pelo mercador Antônio para ajudar um amigo que pretendia uma conquista amorosa com rica e jovem viúva. O  agiota judeu Shylock garantiu o alto valor e no contrato exigia o pagamento macabro de uma libra de carne, equivalente a quase meio quilo, do corpo de Antônio, em caso de atraso do pagamento.


E esta encenação, que assisti semana passada no Teatro Guaíra em Curitiba, com elenco competente e o consagrado ator Dan Stulbach na personagem de Shylock, me fez recordar algo semelhante.


Há alguns anos, um conhecido me procurou para lhe ajudar a ir para a Rússia buscar uma noiva. Me disse que ele tinha certeza, pois os espíritos garantiram que ele havia sido um Czar. E lá na Rússia estaria seu grande amor. Queria saber os trâmites, já que ele sabia que já tinha ido para a Rússia e leste europeu.


Expliquei os procedimentos e fiz uma rápida estimativa de valores para ele. Quando soube da burocracia, da distância e dos valores que iria necessitar, pensei que desistiria da empreitada amorosa. 


Nada disso, Olhou para mim e com toda a certeza me intimou:

- Fui um Czar russo em vidas passadas e tenho que ir. Você vai me ajudar. Me empresta, pelo menos  uma parte do dinheiro que eu vou buscar minha noiva. Parei, respirei e pensei por segundos o que responderia. 


Me ocorreu de contar esta história para ele e o que poderia acontecer. E enfatizei. Para conseguir dinheiro tão alto precisaria cortar na carne, até no osso, pois era uma viagem cara. Ele me olhou e perguntou se cortariam a carne dele também. Reafirmei que sim. Não só cortariam a carne dele cobrando juros de quem ele pegar empréstimo, bem como os russos poderiam cortá-lo. Afinal, golpes do  amor fazem muitas vítimas todos os dias.


Esta semana, coincidentemente o encontrei com uma bela jovem, loira. Pensei que até que era filha dele, mas não era. Em tom de brincadeira perguntei se era russa. Me respondeu que era quase isso. Era descendente de ucranianos e que vivia na região de Porto União, mais especificamente no distrito de Nova Galícia.


Preservou sua libra de carne. E agora deve estar se sentindo um Czar russo. Ele que fique esperto, se o Putin descobre.. Afinal ela é de origem ucraniana. 




O empanturramento do motorista