domingo, 25 de abril de 2021

Plano feito para o senhor

Pela insistência do número de chamadas, resolvi atender a ligação. Nunca atendo telefone, se não tiver o identificador. Por causa dessa mania, já perdi exames e consultas. Mas é muito chato a gente não saber quem está ligando, geralmente são bancos, operadoras de 

cartões de crédito, financeiras oferecendo dinheiro em empréstimos consignados por um jurinho amigo. O telefone de casa está silencioso e nunca se atende. Pode ser o Papa, nem pensar. Quem é amigo passa um whatsapp ou telefona mesmo e fala. 


Mas no feriado de Tiradentes, na última quarta-feira, dia 21 de abril, foi diferente. Como sempre acordei cedo, chimarrão com erva de Erechim, uma olhada na cachorrada que ainda dormia e certamente pensavam, com apenas um olho aberto: - “O que este xarope já está aqui de madrugada fazendo barulho”. Não me deram bola, nem fizeram menção de se levantar. Dei de costas e fui tratar de chimarrear solito observando o passaredo. Nesta hora da manhã é quando os morcegos vão embora. Coisa mais linda. Eles chegam no início da noite e quando vai surgir o sol já se mandam para suas tocas. eles gostam de frutas: ameixa, acerola, pitanga, goiaba. Estes não são vampiros. Vai que descobrem meu sangue azul e me atacam na jugular. Mas passo no meio da revoada só para ver se desviam de mim. São cegos e se guiam por sonar. 


Para inticar com a vampirada ando em círculos e quando termina a cuia de mate faço roncar a bomba. Só para atazanar a mocergaiada. Me vingo também quando levo a JBL e solto um Ozzy Osbourne. Daí sim, somem de vez e se eu vestir minha camiseta do Black Sabbath de 1982, eles vão lembrar do fato. Saio com um risinho sarcástico no canto da boca e sento no meu banco embaixo das árvores e ali vou mateando até o sol raiar.

Mas voltando ao telefone. Resolvi atender meio desenxabido:

  • Alô, atendi

  • Bom dia é o seu Benhur Antonio Cruz de Lima?

  • Sim, do que se trata?

  • Aqui é Ericléia e sei que o senhor está bem, mas sabe que os tempos atuais estão complicados, iniciou a conversa.

  • Sim, imagino, concordei com a moça.

  • Senhor Benhur, o senhor deve estar acompanhando a situação atual e os perigos que existem, muitas vezes nem dá tempo para organizar tudo.

  • Claro, o tempo passa rápido, muitas vezes nem sentimos os anos que chegam, entabulei  a conversa.

  • Estamos lhe ligando para oferecer um ótimo plano de vida.

  • Sim, pode explicar do que se trata? - Questionei com certa paciência, afinal era feriado e as pessoas também precisam trabalhar, tentar vender algo para sobreviver. A vida é dura para quem precisa batalhar todos os  dias e continuei ouvindo, um plano de vida deve ser bom.

  • Somos uma empresa de assistência para as  horas difíceis. O senhor pode fazer um plano funerário com direito a enterro, flores e até cremação com fornos modernos.Explicou

É claro que não me contive e comecei a rir. Porém argumentei que no momento eu não tinha interesse neste plano de vida e que quando a hora chegar quero que Enterrem meu Coração na Curva do Rio , parafraseando a obra do professor e escritor Dee Brown que trata do genocídio de índios americanos pelo governo dos Esatados Unidos no final do século 19. A moça não entendeu.

  • Agradeço sua ligação, mas eu já tratei deste assunto. Já deixei pago um vivente para recolheu meu santo corpo, queimar numa fogueira no alto da montanha, no Castelo dos Bugres, entre Joinville e Campo Alegre e as cinzas devem ser jogadas na curva do Rio Uruguai, mais precisamente no Goio-Ên.

  • Goi o que? perguntou a atendente.

  • No momento não vou querer, despistei

  • Posso lhe telefonar daqui alguns meses? vai que precise, insistiu

  • Sim, pode ligar, sem problemas, agora me dá licença que tenho compromisso urgente, tenha um bom dia de trabalho. Desliguei.


Continuei sentado no banco azul embaixo do pé de acerola. Acho que os morcegos ouviram a prosa e foram embora. O feriado estava perfeito, chimarrão de erva boa e o sol despontando no horizonte. Tudo nos conformes até que um artilheiro voador dá um vôo rasante e bombardeia minha camiseta do Black Sabbath. Era o início do mau presságio. Começaram uma guerra comigo. Agora só vou usar camisas do Ozzy para matear no meio da vampirada.


Bom domingo para todos nós e cuidem com a morcegaiada.


Plano feito para o senhor

Pela insistência do número de chamadas, resolvi atender a ligação. Nunca atendo telefone, se não tiver o identificador. Por causa dessa mania, já perdi exames e consultas. Mas é muito chato a gente não saber quem está ligando, geralmente são bancos, operadoras de

cartões de crédito, financeiras oferecendo dinheiro em empréstimos consignados por um jurinho amigo. O telefone de casa está silencioso e nunca se atende. Pode ser o Papa, nem pensar. Quem é amigo passa um whatsapp ou telefona mesmo e fala.


Mas no feriado de Tiradentes, na última quarta-feira, dia 21 de abril, foi diferente. Como sempre acordei cedo, chimarrão com erva de Erechim, uma olhada na cachorrada que ainda dormia e certamente pensavam, com apenas um olho aberto: - “O que este xarope já está aqui de madrugada fazendo barulho”. Não me deram bola, nem fizeram menção de se levantar. Dei de costas e fui tratar de chimarrear solito observando o passaredo. Nesta hora da manhã é quando os morcegos vão embora. Coisa mais linda. Eles chegam no início da noite e quando vai surgir o sol já se mandam para suas tocas. eles gostam de frutas: ameixa, acerola, pitanga, goiaba. Estes não são vampiros. Vai que descobrem meu sangue azul e me atacam na jugular. Mas passo no meio da revoada só para ver se desviam de mim. São cegos e se guiam por sonar.


Para inticar com a vampirada ando em círculos e quando termina a cuia de mate faço roncar a bomba. Só para atazanar a mocergaiada. Me vingo também quando levo a JBL e solto um Ozzy Osbourne. Daí sim, somem de vez e se eu vestir minha camiseta do Black Sabbath de 1982, eles vão lembrar do fato. Saio com um risinho sarcástico no canto da boca e sento no meu banco embaixo das árvores e ali vou mateando até o sol raiar.

Mas voltando ao telefone. Resolvi atender meio desenxabido:

Alô, atendi


Bom dia é o seu Benhur Antonio Cruz de Lima?


Sim, do que se trata?


Aqui é Ericléia e sei que o senhor está bem, mas sabe que os tempos atuais estão complicados, iniciou a conversa.


Sim, imagino, concordei com a moça.


Senhor Benhur, o senhor deve estar acompanhando a situação atual e os perigos que existem, muitas vezes nem dá tempo para organizar tudo.


Claro, o tempo passa rápido, muitas vezes nem sentimos os anos que chegam, entabulei a conversa.


Estamos lhe ligando para oferecer um ótimo plano de vida.


Sim, pode explicar do que se trata? - Questionei com certa paciência, afinal era feriado e as pessoas também precisam trabalhar, tentar vender algo para sobreviver. A vida é dura para quem precisa batalhar todos os dias e continuei ouvindo, um plano de vida deve ser bom.


Somos uma empresa de assistência para as horas difíceis. O senhor pode fazer um plano funerário com direito a enterro, flores e até cremação com fornos modernos.Explicou

É claro que não me contive e comecei a rir. Porém argumentei que no momento eu não tinha interesse neste plano de vida e que quando a hora chegar quero que Enterrem meu Coração na Curva do Rio , parafraseando a obra do professor e escritor Dee Brown que trata do genocídio de índios americanos pelo governo dos Esatados Unidos no final do século 19. A moça não entendeu.

Agradeço sua ligação, mas eu já tratei deste assunto. Já deixei pago um vivente para recolheu meu santo corpo, queimar numa fogueira no alto da montanha, no Castelo dos Bugres, entre Joinville e Campo Alegre e as cinzas devem ser jogadas na curva do Rio Uruguai, mais precisamente no Goio-Ên.


Goi o que? perguntou a atendente.


No momento não vou querer, despistei


Posso lhe telefonar daqui alguns meses? vai que precise, insistiu


Sim, pode ligar, sem problemas, agora me dá licença que tenho compromisso urgente, tenha um bom dia de trabalho. Desliguei.


Continuei sentado no banco azul embaixo do pé de acerola. Acho que os morcegos ouviram a prosa e foram embora. O feriado estava perfeito, chimarrão de erva boa e o sol despontando no horizonte. Tudo nos conformes até que um artilheiro voador dá um vôo rasante e bombardeia minha camiseta do Black Sabbath. Era o início do mau presságio. Começaram uma guerra comigo. Agora só vou usar camisas do Ozzy para matear no meio da vampirada.


Bom domingo para todos nós e cuidem com a morcegaiada.

domingo, 11 de abril de 2021

Me meto ou não me meto?

 Me meto ou não me meto?



Meses atrás estava caminhando perto da minha casa e fui testemunha de uma situação que me fez parar e observar meio de longe. Uma DR pesada. Ouvi de longe, pois sentei num murinho perto de um clube na rua Benjamin Constant e fiquei de ouvido em pé esperando se iria precisar interferir. Estava a poucos metros e conseguia ver e ouvir tudo com precisão.


  • Vamos, te mexe, me fez sair e agora fica desse jeito? Eu não te aguento mais. Está ficando louca, é sempre assim, dia de chuva, dia de sol sempre a mesma coisa! - falava um senhor aparentemente de 60 anos, alto, forte e visivelmente contrariado.


Possivelmente morador das imediações andou mais um pouco e voltava a se virar e insistir na discussão do relacionamento. 


  • Não te falta nada. Tem comida, tem casa. Te dei abrigo e agora fica assim. Quando eu quero alguma coisa nunca pode? Vou te largar onde te encontrei, daí você vai gostar - ameaçou.


Pensei mais uma vez, comigo mesmo: me meto ou não me meto? Mas como diz o ditado antigo e verdadeiro: “ em briga de homem e mulher não se mete a colher”. Segui meu rumo, caminhando despacito para ver se o caldo não engrossava. Volta e meia, me ajoelhava, fingia apertar o cadarço e dava uma bombeada na dupla. 


Não é que neste domingo de sol, após vários dias de chuva, voltei ao mesmo roteiro e novamente a mesma cena, os mesmos personagens. Desta vez me meti e falei:

  • Bonita hein vizinho? - Qual é o nome?

  • Madalena. Mas não tem jeito, respondeu sorrindo. Dai falei:

  • Todo Golden é brincalhão. tente dar a  guia na boca dela para ver se anda sozinha.


Resolvi o caso. A Golden Retriever de uns 40 quilos, que caminhava 2 metros, empacava e sentava. E isto gerava a discussão e aborrecimento do dito senhor. Agora estava feliz com a guia na boca caminhando junto com seu parceiro. E seguiram pela calçada aproveitando o sol de outono na manhã de domingo. Segui meu rumo, novamente, mas voltei a olhar para trás para ver o progresso da terapia.


sábado, 3 de abril de 2021

Utilidades do Pinhão

 Utilidades do Pinhão



Tenho um amigo lageano, de muitos anos. Coração do tamanho do mundo. Sujeito bom de conversa de alma pura como todo lageano.

Mas o tal sujeito é meio queimador de campo, como se diz no Rio Grande, para quem conta vantagem. 


Acordei, como faço diariamente às 5h, vi algumas coisas no FB e me deparo com mais uma lorota do Negão da Ambulância, ou o Negão de Lages, como queiram. Sim, o mesmo que foi correndo ao centro de Lages para ver o Lockdown que o prefeito Ceron prometeu que traria. Pois repare só vivente, agora inventou que tem fazenda no Paraná e “cria” pinhão. Só na fuça dele.


Mas deixando de lado o fazendeiro de pinhão, vamos ao Pinhão.  A colheita começou nesta quinta-feira, dia primeiro de abril e nem é mentira.

Fui várias vezes à Festa do Pinhão de Lages. Boa culinária, frio, vinho tinto e shows com artistas de renome. Uma baita diversão para o Brasil, que deveria descobrir mais os encantos da cultura local.


O pinhão, além de ser rico em vitamina, é usado em pratos típicos deliciosos e ainda é um fator de união de amigos e famílias. Quem não gosta de uma roda de chimarrão, com pinhão cozido ou assado? Nem precisa convidar.


Para quem segue aos campos de lages, já na subida da Santa ali depois de Pouso Redondo já começam a surgir os vendedores de pinhão cozido às margens da BR. Nas minhas andanças por Toda Santa Catarina, a parada era essencial. Ali na 470, na entrada da estadual 114 sempre tinha gente com um latão fervendo pinhão. Vendiam também frutas, salames e queijos. Era a festa. Garantida a gula. 


Nas inúmeras vezes que fomos a Lages ou municípios da região o Tebaldi (ex-prefeito de Jonville, ex-secretário estadual da Educação e deputado federal), fazia um sortido e seguíamos viagem roendo aquilo tudo. O trabalho ficava muito mais prazeroso com a pancinha cheia de pinhão e mais iguarias como amendoim torrado salgado, carrapinha, mandolate e outras coisas que vendiam nas estradas. Tínhamos estômago de avestruz.


Eu conhecia alguns preparos do pinhão como o cozido, ou assado nas grimpas (sapecado) ou na chapa do fogão à lenha, o tradicional e saboroso entrevero e mais alguns. Mas para minha surpresa a Embrapa do Paraná, lá onde o linguarudo diz ter fazenda, fez estudos e lançou livro onde apontam mais de 100 usos do pinhão, desde culinária com salgados e doces até remédios. 


E hoje como o sábado está com cara de poucos amigos, meio frio e com garoa fina resta jogar um punhado de pinhão na chapa do fogão e ficar matutando a manhã toda, com uma cuia de mate. Pensar no que? No que mais dá para fazer com o pinhão além das 100 utilidades? como pode o Negão mentir tanto? Quando vou poder ir a Lages passar frio e comer pinhao?


Bom sábado e amanhã Feliz Páscoa. Acho que dá pra fazer ovo de pinhão. vou ligar para o Negão ver se é possível home.É bom não exagerar ma doçura para não dar nó nas tripas



quinta-feira, 11 de março de 2021

Calça Larga e o ajutório

 Calça Larga e o ajutório


Ontem conversando com o amigo Pedro Cazlza de Treze Tílias, uma das cidades mais bonitas e agradáveis  do mundo, lembramos outras dezenas de causos que vivenciamos percorrendo estradas e cidades por toda Santa  Catarina.


E por falar em lageanos, como contei a história do lockdown, lembramos de outro vivente serrano. O ícone emedebista Calça Larga, um dos fundadores da sigla em Lages. Nunca arredou o pé, sempre no mesmo o partido passando por dificuldades de escândalos e ostracismo. Continuou firme acreditando e lutando pelas cores emedebistas.


Mas esta história pode já ter sido contada pelo Tio Dorva, biógrafo do governador e senador Casildo Maldaner nas duas edições do Casildário. 


Era 1999, século passado. O Casildo, que presidia a sigla,  empreendeu a Jornada da Unidade para percorrer o Estado e unir os vários segmentos do PMDB. Na época eu trabalhava com o Luiz Henrique que era prefeito de Joinville e pretendia concorrer a governador em 2002, quando se elegeu sem ninguém acreditar que seria possível tal vitória. Num dos roteiros pelos municípios serranos estávamos já em Campo Belo do Sul ou Cerro Negro, não lembro mais precisamente. Chegou um sujeito de boné, camisa aberta, calça larga meio caindo e  puxou prosa:

  • Não te conheço! Interpelou.

  • Sou o Benhur, assessor de comunicação do Luiz Henrique, é a primeira vez que venho neste roteiro- respondi

  • Ahhh. Tá bom home. Eu sou o Calça Larga de Lages, fundador do MDB e ali naquele auto em “truxe” a minha amante e os “fíos” dela- disse apontando para o chevette meio ruinzinho.

Olhei, assenti com a cabeça e disse que era um prazer conhecê-lo.

O Casildo já chegou? Perguntou e respondi que o Casildo e o Luiz Henrique vinham em outro carro que estavam chegando porque fomos até Anita Garibaldi e Celso Ramos onde visitamos as obras da barragem que estava sendo construída.

Logo após  uns 40 minutos chega o Casildo e Luiz Henrique com uma camioneta emprestada de alguém da região porque era impossível trafegar com carros pequenos. Não havia asfalto ainda.

Mas foi o tempo de avistar Casildo que o Calça se achegou.

Cumprimentou a todos, adulou e foi direto ao assunto:

  • Casildo, me arruma cinquenta reais pro combustível. Pediu

  • Calça, tá difícil não tenho mais. Cada cidade é um ajutório para dar para vereador, candidatos, povaréu vendendo rifa e até número de sorteio de bolo. Respondeu e ia seguindo pelo salão rumo ao palco para a reunião que começaria em seguida.

Mas o Calça Larga que era um caboclo matreiro puxou do bolso da camisa do Casildo uma carteirinha dessas que dizia Senador. E a surpresa. Tinha uns 200 pilas ali. Quatro notas de 50. Rápido nem teve dúvidas, fez o confisco. Pegou três notas e devolveu uma de 50 para o senador.

  • Casildo pode ficar com essa aqui  para ajudar o pessoal - disse ele esticando o braço e alcançando ao senador a carteirinha a nota de R$ 50,00.

Esta é mais uma personagem que encontramos pelas cidades e estradas de Santa Catarina nas batalhas eleitorais. Gente boa, de coração grande como é o Casildo Maldaner e tantos outros líderes que enobreciam a atividade política.




quarta-feira, 10 de março de 2021

O lageano e o lockdown



O lageano e o lockdown






Na segunda-feira (8) um amigo meu lageano acordou cedo. Vestiu bombacha nova com favo de mel feito lá em Vacaria. Calçou as botas lá no Cerrito, Lustrou com um pedaço de sebo de ovelha, deu uma cuspida para abrir o brilho antes de passar uma flanela. Inaugurou um lenço novo que um sobrinho trouxe lá de Bagé e um chapéu que comprou durante a Festa do Pinhão no Conta Dinheiros há uns 20 anos. Com a indumentária completa seguiu para o ponto de ônibus bem cedo, lá no Gethal. Ele mora bem perto da 282.




Agoniado que o ônibus não passava por causa da Covid, Voltou para casa pegou a bicicleta do piá e se mandou para o centro. Não queria se atrasar de jeito nenhum, Chegaria cansado por causa do mormaço, mas lageano não se entrega. Um hora depois estava na praça João Ribeiro. Chegou, amarrou a bicicleta num poste e se sentou num dos bancos.




Olhou para um lado, olhou para outro e nada. Esperou mais ou menos meia hora. Estava cansado de esperar e não surgia nenhuma novidade. Nem trouxe um mate e nem o palheiro para ajudar no pensamento.




Passado um tempo, e o sol véio esquentando o lombo do vivente, resolveu dar uma bombeada lá pelos lados do calçadão. Desceu pela Coronel Córdova, que dá uns 400 metros a pé e se encostou na parede da farmácia da esquina. Ficou chuleando o pessoal, e nada de novidade.




Caminhou um pouco até o final da rua, voltou e meio emburrado se escorou na frente de uma loja. Ficou pensando

Será que me passaram a perna. Não pode ser verdade. Um homem véio desses não faria um serviço mal feito assim - ficou matutando.

Já era perto das 11h e o vivente estava nervoso. Tinha ainda que subir até a praça da Prefeitura pegar a bicicleta e ir para casa almoçar neste calorão. E pedalar com bombacha não é para qualquer um. Quase desistindo viu um conhecido e puxou prosa.

Buenas home véio. Cumprimentou o amigo.


Buenas Negão. O que faz por estas bandas do centro? - questionou o amigo.


Mas home do Céu, vim ver aquilo que o Ceron prometeu hoje pros lageano.


Nem tô sabendo o que ele prometeu?


Disse que hoje vinha o tal de lokidau, locodau, alguma coisa assim. Tá todo mundo falando.


Ahh! Sei, mas Negão este de tal de lockdown é uma palavra inglesa que significa fechamento. É só o fechamento temporário do comércio até diminuir a covid.


Mas bah! Que serviço mais mal feito deste véio. Me faz passar esta trabaiera toda. Forcejei de bicicreta desde o Gethal até aqui. Podia ter falado na Crube o que era direitinho invés de inventar palavrório dificir.


Concordo contigo, mas não vai ter nada para ver. Pega o rumo antes que os brigadianos te recolham.

Parece que o Calçadão estava lotado de lageano esperando para ver a hora que iria chegar o lockdown.

segunda-feira, 8 de março de 2021

170 anos de uma ótima cidade

 170 anos de uma ótima cidade



Sim, claro que Joinville é uma ótima cidade. Vivo aqui há 29 anos e aqui nasceram meus filhos e me estabeleci. Infelizmente nos últimos anos temos pouco a comemorar. Não só por gestões públicas fracassadas, mas também pelo aumento da violência urbana. Como uma facção criminosa promove uma festa de aniversário? Pois é. Aconteceu com direito a foguetório. 

Há 30 anos não tínhamos isso. A droga mais pesada era maconha que só tinha do trilho para o sul. Agora a indústria do tráfico mata mais pessoas que doenças.

Há 20 anos preparamos uma grande programação para os 150 anos de Joinville. Era um tempo que entregamos pavimentação, grandes avenidas, grandes obras, escolas de primeiro mundo, creches, postos de saúde, serviços públicos bons, éramos referência em educação no Brasil.

Hoje temos  pouco a comemorar, e vivemos com medo. Não só de bandidos, traficantes, intolerantes, mas vivemos com medo de uma doença que não sabemos quantos vai matar, ainda, e nem quando teremos vacinas para todos.

Vamos torcer para que Joinville volte a sorrir, que a nossa população volte a ser feliz, com saúde, com trabalho, com satisfação e orgulho de ser joinvilense.

A foto foi tirada na Sociedade Cultural Lírica, no almoço dos ex-prefeitos que todos os anos integrava a programação. Este fofinho de óculos sou eu, na época Secretário de Comunicação da Prefeitura de Joinville e responsável pela programação e de costas o ex-prefeito Baltasar Buschle (morto em 2009), que governou Joinville entre os anos 1958 e 1961. Ele sempre participava dos eventos comunitários. 

Parabéns Joinville, neste 9 de março. Espero comemorar os 200 anos.


O AUTO DA APARECIDA