terça-feira, 14 de maio de 2024

CAFÉ AQUÁRIOS E SEU MICROCOSMOS


Morei em Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul de 1984 a 1989. Enfrentei o frio, a chuva, a umidade, tempestades, cerração e ruas alagadas, como é de costume; Mas nunca presenciei tal situação como está ocorrendo hoje. A água que destruiu grande parte do Estado está descendo pela Lagoa dos Patos e levando o medo, a tristeza, as perdas. Se lá morasse, eu seria um retirante, um atingido, pois meus antigos endereços hoje estão embaixo da água. Pessoas que pouco tem acabam perdendo tudo e tendo de  recomeçar. 


Mas recordo com carinho da cidade cultural, histórica, agradável, de gente bonita, fina, elegante e sincera como diria Lulu Santos em Tempos Modernos. Fui recebido de braços abertos, fiz amizades que ultrapassam 40 anos.


Cito o tradicional Café Aquários no centro de Pelotas, por traduzir o âmago da história, do povo,seus costumes, seus orgulhos e seu convívio social. Ali se encontram, se misturam, conversam, discutem os diversos assuntos, mas sem brigas nem alterações.


Se encostam no balcão do café e bebem um expresso, muitas vezes fazendo a gentileza de presentear o adversário. Se encontram Brasil e Pelotas, Grêmio e Inter, Arena e MDB, juízes, médicos, advogados, policiais, rufiões, agiotas, engraxates, bicheiros, jornalistas, radialistas, mecânicos, professores, gente do bem, gente do mal. Filhos de damas e filhos da outra.


Lembro com carinho do ex-prefeito Bernardo de Souza, que quando me encontrava no café me dava uma ficha para expresso e repetia: Mas você não envelhece. Eu apenas sorria e aceitava a fichinha.


Acredito que até hoje é este local ecumênico, onde todas as soluções do mundo passam por ali. Já se chamou Café Nacional, Café 35 e há 54 é Aquários devido as grandes vidraças. Quer ver e ser visto? Vá tomar um expresso, fazer um lanche no Aquários.


Tenho enviado mensagens aos amigos que lá ficaram. A maioria me responde que está bem, alguns que  saíram de suas casas, outros me relatam que levantaram os móveis. Mas o peito está apertado,  o temor continua e nada melhor do que dormir na nossa cama, com nosso travesseiro. 


Resta torcer, ter fé de que tudo passará rapidamente e que as cidades e as pessoas se reconstruam para retomar suas vidas. 


Em breve gostaria de voltar para beber muitos cafés no Aquários, reencontrar quem lá ficou e me esbaldar na Fenadoce. 



domingo, 12 de maio de 2024

O PRIVILÉGIO DE TER MUITAS MÃES

 



Avaliando estas seis décadas de vivência posso afirmar para a companheirada que fui um taura de sorte, abençoado por Santo Antônio e criado por várias mães. Nasci como um bezerro fraco que não iria vingar. Contam que me deram leite de cabrita para ver se firmava.


Mas o bugrinho foi pegando peso e hoje é melhor nem falar nisso, pois supera sete arrobas. E falar em mãe seria injustiça com as demais se eu citasse apenas uma. Tive várias, o que é um privilégio. Tive a mãe que me carregou sete meses Leonor, tive a tia que conheci como mãe Lili que me adotou, criou e encaminhou na vida, tive a avó Elvira que era a protetora. Quando a coisa ficava feia corrida para me esconder atrás da vó. Tive minha irmã e comadre Pepita, que quando nasci gastava seu dinheiro que ganhava como balconista para comprar leite especial para ver seu ganhava um corpinho. Mais tarde ela até tentou me matricular no Lar Escola, mas não durou a proeza. Fugi. Desconfiava que a professora iria comer minha merenda. Afinal eram especialíssimos merengues assados no forno do fogão a lenha, que ela fazia. Crocantes, deliciosos. Não iria deixar isso acontecer. 


Não poderia deixar de citar a Dona Setembrina, onde eu passava tardes inteiras quietinho lendo gibis. A caixa ficava embaixo da cama. Eu já sabia. Uma tarde fui ler gibis, ela saiu, foi ao centro fazer pagamentos e compras e quando retornou ficou assustada com a porta destrancada. Imaginou que haviam invadido. Nada disso. Era eu, bem  quietinho. Fiquei toda tarde lendo. Ela havia me esquecido dentro de casa. 


Na vizinhança havia muitas mães como a Moseca, a Palmira Galli, Tia Koka Motta, a Angela Tiburski, a Marlene Guimarães, a Iracema Chiodi e tantas outras. 


Em outra ocasião, até escrevi sobre o pão com molho que a vizinha da frente dona Palmira dava para o filho dela Paulo e para mim. Lá pelas 11 horas ficávamos rodeando na cozinha até que ela preparasse uma grossa fatia de pão assado no forno de tijolos, com generosa cobertura de molho da carne que estava preparando na panela de ferro  e saíamos correndo de novo. Era comum chegarmos na hora do almoço, sentar, comer sem cerimônia e sem convites na casa dos outros. Os vizinhos pareciam que eram todos parentes e nunca fechavam portas.


E as mães da rua sempre de olho vivo para proteger a criançada que brincavam até altas horas da noite. Muitos enforcavam o banho. 


São boas recordações de uma infância que deixou boas lembranças. E lembrar dessas mães também é uma maneira de homenageá-las.


Assim, parabéns para todas as Mães, seres acima do bem e do mal e com lugar garantido no Céu.


domingo, 5 de maio de 2024

Re leitura da música HORIZONTES

 Neste domingo reproduzo texto de autoria de meu colega de faculdade e amigo José Asunción Quevedo. Paraguaio de nascimento, gaúcho e brasileiro de coração e que mesmo morando em Assuncion, sobre pelos amigos que aqui ficaram e que hoje veem e vivem em um Rio Grande do Sul destruído pelas forças da natureza.;


Re leitura da música

 HORIZONTES 

 




E faz um curto tempo que quase ninguém  anda 

pelas ruas de um Porto que hoje  está  muito triste  e nada Alegre



Mas no entanto todos tem  esperanças que voltará a ter seus encantos


E os maravilhosos  pôr-de-Sol  novamente terão seus  versos


A população sairá com força e com mais coragem  lutando e reconstruindo  casas, escolas e muitos caminhos.



De novo a gente gaúcha estará arando terras, provando vinhos

Terão mais ideias para levantar suas cidades.

E o  amor  seguirá presente em todas as idades.


Chorando como o rio e com suspiros doloridos  farão que os moinhos de vento  soprem esperanças


Subirão de novo  no bonde,  e não descerão dos morros correndo  de medo , mas sim para ajudar a levantar paredes. 


A boa funda de goiabeira será  para espantar tragédias, 

Jogarão  bolitas de companheirismo, de Fé e de solidariedade.


Estarão perto das  fogueiras fazendo, pão, churrasco ou carreteiro


Quadrilhas de sessenta e quatro voluntários

talvez  sessenta e seis,  alguns somam sessenta e oito apesar dos dados de maus tempos, eles , firmes sempre fortes estarão por aí


Anos setenta, oitenta, noventa também custou pra ti e  passaram, mesmo sendo difíceis  foram vencidos


E neste 2024 ano por demais  complicado para o sul nada nada  fará perder vossa raiz . 



José Asunción Quevedo...


Mensagem aos meus queridos amigos gaúchos com quem compartilho desde anos  de faculdade assim para os novos amigos que a vida sempre nos presenteia.


A ideia deste texto foi resultado de uma re leitura  da música  HORIZONTES  com letra de Flavio Bicca Rocha   composta para a Peça teatral BAILEI NA CURVA (ano 83) e que foi um hino na minha época que morei no RS.



quarta-feira, 1 de maio de 2024

O CAMPEÃO DE NOIVADO NO EXTREMO OESTE

 


Nas minhas andanças por Toda Santa Catarina, principalmente em campanhas eleitorais, seja de Luiz Henrique ou Marco Tebaldi, encontrei muitos personagens. Fiz muitos amigos e conheci a maioria dos 295 municípios catarinenses.


Sempre tive preferência pelo Oeste e Extremo Oeste devido às particularidades, características e costumes, pois a maior parte é de gauchada que migrou. Gostam de churrasco, chimarrão, uma boa prosa, contar causos e torcem pelo Grêmio ou Inter e acompanham os jogos pelas rádios  Gaúcha e Guaíba.


Mas numa dessas andanças, lá por 2010, primeira vez que Tebaldi se elegeu deputado federal, estávamos percorrendo os municípios do extremo oeste. Saímos de São Miguel do Oeste e seguimos para Belmonte, Tunápolis, São João do Oeste, Itapiranga, Mondaí, Riqueza, Caibi, Palmitos e São Carlos.


Íamos parando em casa cidade, conversando com simpatizantes, em pequenas reuniões nas residências, algumas festas populares e em cada roteiro tínhamos um amigo correligionário conhecedor da região, das famílias e onde poderíamos ter uma prosa simpática.


Neste roteiro quem nos acompanhou foi um conhecido morador da região que em cada cidade que ele havia preparado a reunião, fazia a introdução do assunto, apresentava o Marco Tebaldi, que havia sido prefeito reeleito da mais importante cidade catarinense Joinville e que estava colocando seu nome para concorrer a deputado federal. 


Neste roteiro, pelo menos na metade das cidades ele fez questão de nos levar na casa dos sogros. Sujeito de boa fala, transpirava sinceridade em seu palavreado. Um artista de primeira grandeza.


  • Deputado (já antecipando a vitória que seria só em outubro), quero lhe apresentar a minha sogrinha querida, que é minha segunda mãe. Este é meu sogro, pai da minha noiva que é mais que um pai. E esta é minha noiva a quem lhe convido para ser padrinho do casamento tão logo seja possível Acho que dá para esperar sua vitória para fazer uma festa mais bonita.


Assim foi com esta prosa em metade das cidades. Findo o roteiro,nos despedimos da equipe local e seguimos para Chapecó para dormir e no dia seguinte voltaríamos a Joinville. 


Na volta Tebaldi comentou:


  • Este Rei do Noivado vai custar caro, imagina presentes para seis ou sete casamentos……

Como diriam em algumas regiões: O cara é penteado. E até esta semana, falei com ele, continua noivo agora em 8 cidades. Domina o extremo-oeste. Acho que está morando em Mondaí.


sábado, 27 de abril de 2024

O TRIO AMOROSO NA MADRUGADA E A TRAIÇÃO QUE AJUDEI RESOLVER

 

Era um casal, que aparentemente se gostava muito e principalmente nos finais de semana as demonstrações de carinho ultrapassavam até mesmo Wando na canção Fogo e Paixão. 


Nos finais das tardes de sábado a movimentação começava. Bernardo iniciava o fogo na churrasqueira, Paula preparava as bebidas e a JBL ligada no spotify com a melhor seleção que os três apreciavam. Toni, era caladão e ficava só observando, nada fazia.


O cheiro do churrasco atravessava o muro e me atiçava. Também quero um belo pedaço desta carne. Não da vizinha Paula, que também era um espetáculo, mas da alcatra, maminha e às vezes picanha. Bebidas no gelo de boa qualidade. Vinhos de Vapolicella, nada de promoção de supermercado e cervejas só Heineken.


Da JBL saia a trilha sonora apaixonada com Roberto Carlos, Caetano, Betânia, Wando, Marisa Monte e lá no meio até um Reginaldo Rossi cantando Mon Amour, meu bem, ma Femme. Assim eram as noites de sábado. Ouviam música, comiam iguarias e churrasco, dançavam e às vezes a música ficava tocando e o trio ficava em silêncio. Dava para ouvir risadinhas, algo faziam….Depois retornavam a dançar de rostinho colado. Eu ouvia os tlec! tlec! de garrafas vazias sendo descartadas na lixeira


Mas teve uma noite que Bernardo quase furou os ouvidos da vizinhança repetindo várias vezes a canção Depois de Marisa Monte. Ouvia, tocava de novo e de novo e de novo. Acho que era um adeus, pois não o vi  mais. E Paula ficou reclusa por uns tempos até que outro carro começou a estacionar na frente da casa dela. E Toni, com cara de emburrado, ali sentado.


Certa noite lá pelas cinco acabou bebida, acabou comida e a fome bateu. Imagino que ninguém estava em condições de dirigir e nem pedir fast food. Paula sugeriu:


  • Tenho um pacote de grãos. É só jogar água para amaciar e  uns molhos.

  • Não sei, preciso de “sustança”, e não sou passarinho para comer alpiste ou qualquer outro grão, respondeu Bernardo. Mas mesmo assim ela preparou o prato e devoraram. Depois se fez silêncio até o sol raiar. Certamente dormiram com a pancinha cheia de bebida e de “grãos”. Toni nem bola. Nem experimentou.


Acordei às 6 horas, preparei um mate e fui para a frente de casa olhar o movimento, que não existe. Olhei por cima do muro e lá estava Toni. Olhava para mim e para a lata onde davam a ração dele. Entendi na hora. os “grãos” que comeram era a ração de grandão que ficou sem comida. Aturou a dupla a noite toda, enjoou de Marisa Monte, não lhe deram os “grãos” com molhos. E não tinha como reclamar.


Preparei uma porção generosa da melhor ração, com sachê de carne, e levei ao velho Toni que salivava e devorou em poucos segundos. Feliz, sorriu para mim e deitou na calçada. Teria o sono dos justos na manhã de domingo. Naquela tarde alguém deixou meu prato em cima do muro. Nada falaram. Toni virou meu amigo. Quando passo em frente da casa faz festa, abana o rabo, sorri e pula. Sempre é bom fazer novos amigos.



imagem:Stock de Arte


domingo, 21 de abril de 2024

A bela morena de cabelos sedosos na casa da mangueira


Com estes lindos dias de sol l de outono lembro de uma bela e formosa, que vivia com alegria, dentro de suas condições de vida simples, em um bairro de Pelotas, mais precisamente no Areal. E Pelotas é lugar de mulheres bonitas, como o sul do Rio Grande do Sul, e adentrando pela fronteira oeste. Havia uma lenda de que as mais belas viviam em Bagé, mas as alegretenses também eram de fechar o comércio. Deve ser a cruza por fronteiras não bem limitadas entre os três países do sul onde se encontram  Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul. Claro que o Rio Grande é um país, alguém vai duvidar?


Nesta época do ano a região fica mais bonita com a luz de outono e las morochas ficam mais belas, mais atraentes, mais sensuais. Ela, com sua alegria, estava sempre cantando e dançando ao realizar seus afazeres domésticos. Eu seguia diariamente para a empresa onde eu trabalhava na área de comunicação no Areal e sempre a via. 


Era pequena, tipo mignon, pele cor de cuia, cabelos pretos e sedosos que iam até a cintura. Sempre prendia uma flor do lado direito que a deixava mais delicada. Usava vestidinhos simples, feitos de chita, muito comum para quem tem pouca renda. Envolta neste algodão, que de longe parecia tão aconchegante e carinhoso com aquele corpinho lindo, ela dançava sozinha. Era tão graciosa em seus gestos e passos que encantava qualquer passante, era impossível não observar e admirá-la.


Aumentava o volume do rádio e dançava sozinha ouvindo Roberto Carlos, Wando, tangos e  boleros. Raramente levantava o olhar para ver quem passava pela rua. Vivia dentro daquele mundo introspectivo e possivelmente sua felicidade estava ali em coisas simples e belas, como música, dança, sol e seus afazeres. 


Algumas vezes sentava num banquinho debaixo de uma mangueira, que nunca frutificou,  e escovava os lindos cabelos , que com o sol de outono o deixava brilhoso, como se fosse uma rara seda negra. E a caneca de lata a acompanhava, possivelmente com café ou chá. Bebericava aos poucos e passava a escova nos fios de seda que cobriam seus ombros nus. Apenas o vestido de alças ela vestia e me deixava imaginando a escultura que deveria haver debaixo de seu estampado floral.


Numa manhã de abril vi a casa fechada. Imaginei que deveria dormir até mais tarde, porém incomum, mas na volta do trabalho verifico outra vez. Novamente a casa estava totalmente fechada e alguns dias depois já havia marcas do abandono.


Curioso, desci do ônibus em um ponto de parada antes da casa e perguntei num boteco sobre tal lindeza que ali morava e apontei para a casa. O bolicheiro me olhou com cara de assustado e perguntou:


  • Mas vivente, o senhor conheceu a moça da casa da mangueira?

  • Sim, sempre vejo todos os dias quando passo aqui e achei ela muito bonita. Respondi.


O bodegueiro fez o sinal da cruz e pediu que eu fosse embora e nunca mais voltasse. Tentei argumentar, saber desta reação e o que houve com a linda morena, sensual,  de cabelos sedosos. Mas como ele ficou muito exaltado, sai logo. Já no próximo ponto do ônibus botando o pé na escada para subir ouço um chamado:


  • Ei moço, espera aí. Gritou uma senhora.

  • Sim, o que houve?

  • Você viu mesmo a moça daquela casa?

  • Sim, todos os dias quando vou ao trabalho e acho ela muito bela e um jeito especial, respondi

  • No es posible. Fue mi hija la que falleció hace mucho tiempo. Estás viendo fantasmas y no vuelvas a venir aquí con esta conversación. Toma tu curso. Recomendou a senhora em tom enérgico, mas também angelical. 


Aceitei o conselho e diariamente quando passava de ônibus pelo local, evitava olhar para aquela casa da mangueira. Fechava os olhos por instantes ou olhava para outro lado e até puxava conversa com o passageiro do lado. 


Melhor assim, vai que ela levante a cabeça e pisca para mim…..Si ella hace eso, mi corazón se detiene.





domingo, 14 de abril de 2024

O Oscar vai para ….




Nesta semana estava conversando pelo whatsapp com um amigo de longa data, personagem de muitos causos, pois o maleva é campeão e deveria receber o Oscar de interpretação como melhor ator e até de efeitos especiais. Ou até mesmo o Oscar Cara de Pau.


Conversamos sobre estes 32 anos que nos conhecemos e a prosa sempre é agradável e recheada de bons fatos da vivência. 


Não resisti à curiosidade e perguntei sobre o namoro com a mesma moça que dura 34 anos, e sem nunca ter comprado uma aliança, fazer uma cena, daquelas bem idiotas de o cara se ajoelhar e pedir em casamento. Nunca vi coisa mais ridícula! Houve um caso em Jaraguá que um  piá gastou o que não tinha, comprou aliança, contratou filmagem e músicos e quando a namorada desceu da escada rolante do shopping o boca aberta de joelhos com a cena toda. Ela olhou e disse : não me faz passar vergonha, pegou o outro rumo e sumiu na braquiária. Certamente para evitar isso ele nunca fez tal produção.


Conversa vem, conversa vai me disse que só dá certo pela confiança e liberdade. Cada qual nos limites de seus domínios, cada um com seu carro, seu quarto e sua casa. Assim dura um século.


Perguntei se ela não tinha ciúmes e ele dela. Afinal viajam às vezes de férias separados. Me relatou que não, pois de acordo com as palavras dele: - Ela me conhece! e deu uma gargalhada.


Mas a verdade é que eu imagino o seguinte. Ela nada teme pois o sujeito com 60 anos, pançudinho, careca, carro velho,problemas nas juntas e pouco dinheiro, não vai poder querer se passar por Brad Pitt e nem George Clooney. Assim ela sabe que ele só vai até o bar beber Gin, Run, comer torresmo e dar uma beiçada num martelinho e 20 horas está na cama com dor nos quartos (quadril) para quem não sabe.


Pelo jeito vai ficar mais 34 anos sem  os amigos serem convidados para  comer um churrasquinho no casamento do James Dean da Vila IAPI.



O AUTO DA APARECIDA