sábado, 8 de fevereiro de 2020

Bode com o diabo no couro

Na década de 70, ali no Floresta,bairro da zona sul de Joinville, houve um caso do bode que estava com o diabo no couro. Era coisa de dar medo. Volta e meia o bicho se rolava no chão, dava cabeçada num pé de bananeira, na madrugada deitava de barriga pra cima parecia apreciar a lua e dava gargalhadas na língua de bode, é claro.

A dona do bode era uma irmão de um colega. Ficou preocupada, afinal o que houve com este bode. O bicho já tem fama de ser servo daquele que vocês sabem. Pelo menos é o que contam. Nos terreiros fazem oferendas com o sangue de bode. Nos livros do coisa ruim, sempre imagens do bode como encarnação do filho de uma rapariga.

Religiosa apostólica romana, fã do Dom Gregório, rezava desde cedo e o comportamento do bode começou a ficar aterrorizante. Pensou em procurar Dom Gregório que atendia à todos. Mas imaginou: - Levar um assunto desses ao Bispo, vai achar que sou louca. Conversou com algumas comadres que sugeriram vá lá no Padre Bertino, ele é muito querido e vai e orientar. Deixou alguns dias e criou coragem.

  • Comadre, vou lá no Padre Bertino pedir para fazer um exorcismo no meu bode. Ganhei ele de meu pai e não quero me desfazer do bichinho.

  • Deixa disso vamos passar a faca no bode e fazer um churrasco.- aconselhou a vizinha.

  • Estás doida? Vou falar com o padre para tirar o coisa ruim daí. O Cristiano é da família sua louca- Insistiu.

Decidida no pedido de exorcismo comentou em casa. Só que o irmão da dona do bode, nosso colega tratou de tirar esta idéia absurda. Imagina o padre paramentado, com estola, água benta nos fundos do pátio pedindo para o bode repetir as palavras santas. Imagina se a história chega no Vaticano. Pior! Ter que noticiar no nosso jornal.

Enquanto isso o bode véio lá atrás de um pé de bananeira de-lhe chifrada e rolava no chão. Balia olhando a lua. Ficava amarrado na cerca de mourões de eucalipto e arame farpado. O irmão, que tinha apelido de Cachorro, sabia qual era o encapetamento do bode.

O bicho ficava faminto, sorridente e endemoniado sempre após a visita de outro colega, geralmente nas sextas após o fechamento do jornal. Alguns iam na casa do Cachorro que morava com a irmã e assavam umas asinhas de frango, sardinhas o que desse com os poucos recursos. Alguns iam na cerveja e outros na cachacinha de um alambique artesanal ali de Araquari.

E um dos colegas, gostava mesmo é do encapetador. Pois é. Já sabem né. Não se interessava pela comida e bebida escassa e pelas conversas repetidas de sempre. Seu local preferido era um cantinho nos fundos do lote atrás de um rancho onde guardavam quinquilharias, ferramentas, bicicleta velha, latinhas e vidros vazios. Vai que se precise um dia.

E ao lado deste rancho tinha um pé de banana viçoso, sem nenhuma fruta, pois o danado do bode sempre faminto pelava o pé. 

Sentado num cepo, tranquilamente este colega enrolava um cigarrinho do capeta em folhas secas de bananeira. Tudo natural ou diriam hoje ôrgânico. Fumaça forte do charuto que daria inveja aos cubanos.

A irmã do Cachorro sentia aquele cheiro de fumaça e questionava. - O que é isso. De onde vem este cheiro? 

  • Deve ser alguém queimando mato por aí - despistavam.

Em breve começava a sessão que requeria o exorcismo. O bode doidão balia, se rolava no chão e chifrava o pé de banana. Pronto! Baixou o coisa ruim.

Felizmente não foi necessário levar o assunto para as autoridades eclesiásticas e nem dar conhecimento ao Vaticano. Solução caseira. Chamaram uma mão de santo ali do Fátima que deu uns passes e trouxe uma garrafada milagrosa. Fez o bode beber até o último gole e aconselhou:

  • Este bode precisa de tratamento. Vou levá-lo! Sentenciou a macumbeira toda de branco.

  • Nunca mais souberam do paradeiro do bode.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Emenda

 Emenda



Provocado pelos colegas  Osman Lincoln e pelo José Gayoso vou ter que contar a história de um ex-colega de trabalho que realizou seu sonho de décadas. 

Era um senhor negro alto e forte, talentoso no banjo, músico virtuoso nas horas vagas com os familiares. Após a aposentadoria, pelo trabalho prestado em uma grande indústria do Boa Vista, quando era um Distrito de Joinville, continuou trabalhando para complementar a renda e se redimir da realização de sua maior satisfação.


Por três décadas nosso personagem atravessa cidade para uma jornada dura. Jogar carvão a pá na boca de um forno. Se existisse inferno, pensava, era ali. Não tinha inverno. Sempre calor. E o pensamento corrente por 30 anos. - Deixa eu pegar minha indenização e o fundo...Vou fazer o que sempre esperei. Acalentava.


Passado o tempo, chega a dita aposentadoria após 30 anos de boca de forno. Na época não havia transferência on line. Recebiam a dinheiro na tesouraria. Cheque do BESC? Veio mais tarde. Trabalhador gostava de dinheiro. Enchiam os bolsos e partiam para casa com os bolsos cheios. Alguns paravam no mercado, faziam o pedido e pagavam a caderneta. Outros uma paradinha no boteco: num só gole derrubavam um mercedinho, um trago para o santo ou uma Faixa Azul de Joinville. Os mais exibidos e afortunados iam para um grande complexo de entretenimento adulto, chamado Emenda, lá no Itinga, quem vai para São Francisco do Sul. Havia um conjunto de casas de tolerância, com moças daqui e outras vindas de outras paragens. Frequentavam o local desde o rico até o pobre. Estacionados Opalas, Galaxies, Chevettes, Corcéis, Barra Dupla Circular da Monark, Caloi, Monaretta , Garelli e Lambretta.  Quando via uma Lambretta nosso amigo vidrava os olhos. Coisa linda. Imagina ter uma máquina dessas. 


E lá neste parque de diversão adulto tinha uma moça vistosa, loira, vinda de Indaial. Nosso personagem há anos observava e sonhava um dia poder… vocês sabem. Mas não podia gastar. Ela era muito disputada e cara. Parece que ela veio do Alto Vale do Itajaí para trabalhar em casa de família, assim comentavam. Quando ia trabalhar nem sentava no banco do ônibus. Ia em pé agarrado naquele ferro no teto para poder ficar observando sua musa por mais tempo quando passavam ali na Waldemiro José Borges.


Marcaram o dia para o acerto, nosso personagem atravessou a cidade, chegou na portaria e foi encaminhado para o setor pessoal. Assinou os documentos, deu baixa na carteira e foi orientado. - Com este documento o senhor vai na Caixa e pega o Fundo de Garantia, ali na tesouraria pode pegar a indenização, salário do mês, férias e demais direitos. E não esqueça de ir no INPS encaminhar a documentação toda - orientou o funcionário. Como era sabido guardou tudo na cabeça. Mas estava ansioso para pegar o bolo de cruzeiros. Fazia comichão na palma da mão.


Impaciente, queria receber logo. O tesoureiro pediu que assinasse o recibo e lhe entregou uma dinheirama sem fim. Alegria. É hoje.. Que realizaria seus dois sonhos, após 30 anos de economia e espera.


Saiu chispando da firma, pegou o ônibus, parou ali no terminal do centro. Foi a pé até uma loja de motociclos onde havia uma Lambretta meio cinza de segunda mão mas em boas condições. Pagou a vista. Uma nota em cima da outra. O comerciante não acreditou. E disse ao nosso comprador. - Temos de fazer a documentação, recibo no cartório com firma reconhecida e encaminhar ao departamento de trânsito. Isto já era um insulto para quem tinha tanta pressa.


Amanhã eu passo aqui - disse nosso protagonista. E o vendedor questionou; - O senhor sabe guiar uma Lambreta? Tem carteira? 

  • É que nem bicicleta, só com motor - respondeu dando a pedalada da partida. Acelerou, soltou a embreagem e saiu pinoteando. Sorte ter pouco movimento na Getúlio Vargas em direção a Santa Catarina e Waldemiro José Borges. Capacete? Nem pensar.


Tocou reto para a Emenda. Afinal gastou só a metade da indenização dos 30 anos de boca de forno. Foi matutando; É hoje que a galega não me escapa.

Chegando na Emenda, foi direto na casa onde a galega trabalhava. Era 5 da tarde, ainda nem havia movimentação. Chegou ostentando. Estacionou a Lambretta bem na frente, duas buzinadas. Subiu a escadinha chamou a dona da casa e pediu um Rabo de Galo para limpar a garganta da poeira e do vento, pois veio numa longa viagem lá do centro. Mandou chamar a galega que estava no pátio, aproveitando o sol para tomar banho na bacia. - Diz para apurar - ordenou.


Seu sorriso com dentões brancos e três de ouro reluziam. É a Glória.  - Vem minha linda! Convidou. No quarto em cima da penteadeira cheia de bibelôs, perfumes, talco Cashmere Bouquet, creme Leite de Rosas, pomada minâncora, um eletrofone portátil Philips tocando o compacto de Roberto Carlos , sucesso da época Amada Amante. Um abajour com luz de festa vermelha. É o pouco que ele lembra. Só tinha olhos para a galega, uma espera de anos.


Passados três dias de internação no referido estabelecimento chegou a hora de ir para casa para evitar ser considerado um desaparecido.  Mas sabiam onde ele estava pois morava ali perto. Veio a conta. Só não chorou em alemão porque só falava a língua materna. Era nativo da Corveta, ali em Araquari.. 


Deixou a outra metade de tudo o que ganhou em 30 anos e ainda lhe confiscaram a Lambretta como garantia de que voltaria para pagar o saldo.

Desceu a escadinha da casa, olhou para sua ex-Lambretta com olhos marejados e uma última olhadinha para trás. Lá na janela debruçada com os cotovelos num travesseiro, estava a galega. Abriu um sorrisão enorme, os dentes de ouro brilhavam contra o sol da manhã, atirou um beijinho e se despediu: - Fui feliz nestes três dias!


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Joinville nasceu no KM-4

                                                        Joinville nasceu no KM-4



Mês que vem Joinville faz aniversário. Mas esta história toda de colonização, Barca Colon, imigração suíça e  alemã é tudo balela. O marco da cidade não é ali na frente da Prefeitura onde alegam que a barca chegou e  tem uma escultura em concreto para marcar os 150 anos, instalada em 2001.


Calma.  Não loqueia! Senta aí no cepo, serve um chimarrão que vou te contar esta história verdadeira. Coloca umas folhas de hortelã que vão te acalmar. E não adianta ficar beiçudo.

É que de acordo com meus profundos estudos e coleta de comentários e entrevistas. O marco da civilização joinvilense é o KM-4  no bairro Santa Catarina. Tenho um colega, que foi latifundiário na região e quase se ordenou padre boliviano. Quando descobriu que teria de ser celibatário desistiu da ordenação.


Mas vejam bem. KM 4 já tinha posto de gasolina, atacadista, armazém de secos e molhados, matadouro, motel, foi o primeiro conjunto habitacional (Profipo) primeira rede de esgoto (Profipo) Quando nem existia o Pórtico da 15, nem BR 101, por onde entravam os ônibus? Pois é. A rodovia era pelo KM-4. Parecia uma metrópole. Tinha engenho de arroz, de farinha, circulavam carroças cheias de mercadorias. A farinha de mandioca não era tão boa quanto aquela do moinho de São João do Itaperiú. Mas pirão ficava saboroso. Com linguiça lá do Boehmerwald ou sardinhas da Barra do Sul.


Volta e meia meu consultor latifundiário cita: - Fulano é lá do KM 4.  Grandes empresários, cantor de ópera, juíz e até um deputado que pode vir a ser prefeito. Havia até estádio de futebol, grama que era um tapete persa verde onde os times se enfrentavam aos domingos de tarde.  Piscina e praia para quê? Os rios limpinhos faziam a diversão das famílias que realizam piquenique nos gramados verdejantes. Vez ou outra vinha uma mimosa leiteira por perto. Xô vaca, vai pra lá...


O epicentro comercial, financeiro, industrial e social era no KM-4 e se estendia até lá no 11, mais ou menos lá pela Comunidade São João Batista.  O que estragou tudo foi a BR 101 que tirou a movimentação da metrópole e levou para um novo traçado. Não fosse isso, hoje o KM 4 seria uma São Paulo.


Entendeu agora? Larga esta cuia, me dê um mate e te arranca daqui.

Ah! E leva este pulguento junto. Dê um banho creolina.




terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Francisco I

 Francisco I



Seus pensamentos são distantes, seu olhar se perde no horizonte. Contempla a natureza, ri para a lua cheia deitado de barriga para cima e as quatro patas apontando ao céu. Deve ter alguma conexão com o universo.

Em dias de sol prefere a sombra das árvores onde percorre seu território várias vezes ao dia. Quando chove, eu me pergunto. Estará Francisco I doido, sentado na chuva? Não é normal.

É um senhor de 14 anos, mas não aposentado. Trabalhou anos protegendo seu patrimônio e ainda é o senhor líder alfa da matilha. Eu o obedeço e o reverencio todas manhãs às 5h. Ele só me olha e eu já sei o que ele quer. Vamos juntos até os pés de Pitanga e Acerola. Espera que eu tire frutinha por frutinha e lhe dê na boca. Faço com o máximo prazer.

Mas e os pensamentos desta foto? O olhar ao horizonte?  Huuummm.

Está esperando que caia uma goiaba do pé. Assim que ele ouve o barulho - Plaft! Da fruta no chão, ele desce do pedestal, caminha até o gramado, já com dificuldades nas articulações,  e abocanha a sua goiaba preferida. Traz para a calçada e ali corta aos pedacinhos e se delicia.

Este cão deveria se chamar Chico Bento, o comilão de goiabas da turma da Mônica. Já leram o gibi né?


Minha relação de amor com o chineque

 Minha relação de amor com o chineque




Chineque ou  schnecke. Não importa a grafia. É bom demais. Macio, fofinho pode ser de banana, creme, abacaxi, uva, farofa doce, amora, morango e demais frutas. Seu formato pequeno retangular ou trançado enche os olhos dos gordinhos.


Minha apresentação a esta tradição foi feita pelo colega Ronaldo Corrêa, quando trabalhávamos juntos no jornal A Notícia. Isto em 1992, numa tarde els deu uma saída para comprar um lanche e voltou para a redação com o protagonista. Cresci o olho, fiquei curioso e babando com aquilo na mão do Ronaldo. Ele viu meu entusiasmo  e me informou: - É um chineque, você não conhece só tem aqui. Quer um pedaço? Meio envergonhado aceitei. Foi uma mordida generosa e o encanto e paixão a primeira dentada. Era de creme. Lambuzei os beiços de creme, e farofa que caíram pela camisa, calças e chão.Desperdício!


Virei fã. Depois descobri também que no bairro Anita Garibaldi se faz o melhor chineque de Joinville, ali no Keunecke. Semanalmente lá ia eu. Mas o Ronaldo é culpado, também de eu experimentar outra iguaria local, o caranguejo. Naquela mesma semana ele veio com a novidade: Hoje vamos no Barbante, lá no Glória comer caranguejo, quer ir junto? Aceitei o convite desconfiado. Eu já tinha 27 anos e não conhecia nem o chineque, a quem fui apresentado e agora conheceria o tal de caranguejo.


Após sair do jornal lá pelas 21h peguei minha moto CB 450 TR vermelha ano 87 e parti para o Glória. Chegando lá um mesão de gente feliz dando porrete em cima da mesa. Estranho! Será que é briga? Nada disso. Estavam quebrando as garras e chupando as pernas cabeludas do dito bicho.

Me ofereceram. Eu como bom gaúcho que  só comia carne, comer peixe e demais bichos do mar, nem pensar. Mas fazer desfeita aos novos amigos não era conveniente.

Trouxeram um grandão para me agradar. Lembrei que aquele bicho come cadáver no mar. Mas tratei de experimentar. Devorei o monstro.


Passados 28 anos, prefiro o chineque com quem tenho uma relação duradoura. Não tendo o chineque pode ser um apfelstrudel, cuca ou meu preferido bolo de milho.


domingo, 2 de fevereiro de 2020

Nunca mais se enganou

 Nunca mais se enganou


Carlos era um sujeito trabalhador, bons resultados e sempre alcançava as metas de vendas. Lá pelo dia 20 de cada mês relaxava pois já tinha atingido o volume de vendas mínimo. Aí relaxava e aproveitava para sua segunda atividade, a de namorador. Paquerava aqui, ali e não dava trégua para as balzaquianas. Percorria  os salões de bailinhos da terceira idade durante as tardes. Um dia em cada um para não ficar manjado. E aproveitava os cafés servidos incluídos no preço. Geralmente uma garrafa térmica com café,leite e um mesão cheio de cuca de banana, farofa, maçã e uva.


Meio esquecido, mantinha na carteira um calendário dos bailes e clubes codificados para a patroa não descobrir. Já tinha uns 50 anos quando o conheci. Alto, magro, falante e bem humorado. Nas tardes de quarta e quinta sumia, sempre após o dia 20. Nestes bailinho a média é de 50 mulheres para cada homem, aproximadamente. Nem precisa saber dançar. Só um passinho para cá, outro passinho para lá e pronto. Parece Fred Astaire ou Gene Kelly e se tomar uma Antarctica de Joinville, quando existia fábrica famosa aqui, já se transforma num Baryshnikov.


Esta era a rotina de conquistas. Só que às vezes caia em armadilhas. Chegava em casa e trocava o nome. Ao chamar a esposa, falava o nome da outra. Encrenca certa.

  • Quem é esta rapariga. Vamos me diga? - Interrogava a mulher, uma alemãzinha de 1,56m 80 quilos e com dedo apontando para o rosto do marido e olhos flamejantes de ódio e ciúmes dava medo até na Santa Inquisição.

  • Vânia, é  uma cliente que tenho de levar uma proposta. Desculpa meu docinho. - tentava amansar.

  • Docinho deve ser uma dessas daí. Cliente, eu sei….Estava feita a porcaria. Lá vai Carlos para o sofá mais uma noite. Ainda bem que os vizinhos não ouviram a gritaria.

Mas como o sujeito era useiro e vezeiro, na tarde seguinte foi fazer novas visitas. Desta vezes alí pelo Anita Garibaldi. Chegou no salão, pagou os dez pilas de ingresso com direito ao café da tarde, andou pelo salão, mas nem deu tempo de fazer uma volta completa e chegar na copa para pedir a sua faixa azul gelada. Foi amor à primeira vista. Era do tipo dele. 


Encostou no balcão e perguntou ao ecônomo. - Quem é? Alí de blusa verde, saia plissada preta e lenço azul no pescoço? Biotipo parecido com a patroa: cerca de 1,60cm uns 78 quilos, cabelos loiros curtos encaracolados, rosto bonito, quase sem rugas. O coração bateu mais forte e depois de cinco faixas criou coragem e foi tirá-la para dançar.


Na época estes bailinhos não eram com música eletrônica, Djs e esta porcaria toda. Eram conjuntos que abrilhantavam os bailes e atendiam pedidos. Mandou um bilhetinho para os músicos. Enquanto o garçom ia ao palco para entregar o pedido da peça musical, Carlos se aproximou e convidou a sua nova musa para dançar esta peça musical que ele pediu e que acreditava ser o tema de amor e de um futuro relacionamento. Seus olhos brilhavam ao chegar perto, respiração ofegante, mãos úmidas, pensou que ia ter um treco no meio do salão. E se viesse a Samdu para levá-lo? Que fiasqueira. Parou, respirou fundo e chegou mais perto.


  • Boa tarde, bela dama, me dá o prazer dessa contradança? - Prontamente ela aceitou e caminharam até o centro do salão que estava com poucos casais, visto a falta de homens. Lá do palco os primeiros acordes e o cantor anuncia:

  • Agora um pedido especial ao nosso amigo Carlos, um sucesso do momento Aguenta Coração do José Augusto. No meio do salão o casal já de rostinho colado suspiravam como dois adolescentes apaixonados: 

Após a dança foram se conhecer e se apresentar.

  • Sou o Carlos e qual o seu nome? - perguntou o conquistador da terceira idade.

  • Meu nome é Vânia e nunca te vi aqui. Repondeu.


Os olhos de Carlos faiscaram, chegava babar de felicidade. Pensou com seus botões: Esta é a mulher certa para mim,Nunca mais vou trocar o nome. 


sábado, 1 de fevereiro de 2020

Festa na Ilha do Sapo

 Festa na Ilha do Sapo



Na noite da última sexta (31) comemoramos o aniversário com ausência física do aniversariante. A festa estava animada ao som de  Fio de Cabelo, Tordilho Negro, Boate Azul, Solidão, Som de Cristal, Dama de Vermelho, Telefone Mudo e tantos outros sucessos populares na voz e violão do sempre afinado Rafael Bianchi. Um encontro de amigos que conviveram com ex-prefeito Marco Tebaldi, que estaria completando 62 anos.


O encontro organizado pelo filho Marquinho, que de acordo com ele, agora os boletos vem sem seu nome, foi muito prazeroso. Contamos histórias, algumas não publicáveis. 


Nos reunimos ali na casa do Bujica, ou senhor Jair Raul da Costa, que de acordo com o dono da casa, se alguém bater na frente perguntando por este nome, só pode ser SPC. Mas ele mora alí perto da Ilha do Sapo, onde tinha o Bar do Beato. Quem é daqui sabe do que estou falando. O Bar do Beato era como se fosse uma capela. Todos iam se benzer em algum momento do dia. É claro que o Santo ficava com sua parte. Afinal, também sente sede.


Passamos horas agradáveis contando causos do “beiçudo”. Bom rever os amigos verdadeiros que ficaram ao lado do Tebaldi até o final em especial o seu filho, que cuidou do pai e hoje torna-se o responsável pelos boletos e pela grande responsabilidade de preservar o nome de um grande prefeito, de um grande amigo e um ser humano maravilhoso.


O presidente do PSDB Carlos Caetano, uma mistura de dirigente partidário, latifundiário do KM 4 e quase padre conduziu uma oração, o velho Tarcísio Tomazoni não largou a faca mais afiada que língua de sogra e nem saiu da cozinha. Era o responsável pela banquete. O dono da casa Bujica não parou um instante, sempre um bom anfitrião. 


É assim que devemos viver. Ter amigos, nos reunir para contar histórias verdadeiras e outras nem tanto, comer, beber e cantar. A vida é muita curta e passa tão rápido que nem sentimos. Depois dos 30 a coisa corre. Passa os 40, chega aos 50 e lá nos 60 já estamos com dor aqui e ali. 

Portanto deixem de besteira, de intrigas, fofocas, mesquinharia e sovinice. Vivam e celebrem este milagre diariamente e cantem para espantar os males.

“Correu notícia de um gaúcho

Lá da estância do paredão

Tinha um cavalo tordilho negro

Foi mal domado ficou redomão”


QUEM COMEU A COALHADA?